BADIANA

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre BADIANA



BADIANA
Anisi stellati fructus


Illicium verum Hook.f. - MAGNOLIACEAE
A droga é constituída pelos frutos secos, utilizados para extração de óleo essencial, cujo teor não
é inferior a 5,0% com, no mínimo, 80% de anetol.



NOMES POPULARES


Badiana-da-China, anis-estrelado.



CARACTERES ORGANOLÉPTICOS


O pericarpo da droga possui odor aromático agradável e sabor doce e anisado; a semente é
inodora e tem um sabor desagradável.



DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA


O fruto é múltiplo, composto habitualmente de 8 folículos, algumas vezes até 12, dispostos
horizontalmente em forma de estrela, em volta de um eixo central (columela), ordinariamente
achatado na altura dos bordos dos carpelos. A columela continua frequentemente num pedúnculo
pequeno, curvo e frágil, que poucas vezes se encontra ligado aos frutos. Os folículos, de 10,0 mm a
20,0 mm de comprimento, desigualmente desenvolvidos, lenhosos, careniformes, achatados
lateralmente, de cor castanho-escura, terminam em ápice obtuso e curvo. Cada folículo é anguloso
na base, onde se fixa ao eixo central; o bordo inferior do folículo é espesso e rugoso; o bordo
superior é aberto em dois lábios, delgados e lisos de cada lado da fenda; as faces laterais rugosas
apresentam, perto da base, uma parte mais lisa, clara e semi-elíptica, pela qual os carpelos estão em
contato entre si. Na época da maturação, o folículo torna-se deiscente e abre-se no bordo superior
(sutura ventral), por uma larga fenda, que deixa ver sua face interna lisa e brilhante, de cor
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castanho-amarelada, e uma única semente oval, castanho-avermelhada ou castanho-amarelada, dura
e brilhante, truncada na base, onde se distinguem o hilo e a micrópila bastante próximos um do
outro. A semente contém um invólucro frágil e um albúmen oleoso que circunda um pequeno
embrião.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA


O epicarpo, em vista frontal, mostra células poligonais, marrons, irregulares, de paredes pouco
espessadas. A epiderme do epicarpo apresenta estômatos grandes, anomocíticos, não muito
freqüentes, e cutícula com estrias irregulares bem acentuadas. O mesocarpo é constituído, em sua
parte externa, por parênquima de células de paredes castanho-avermelhadas, contendo amido,
podendo ser observados, neste tecido, idioblastos secretores-oleíferos esféricos, com paredes finas;
em sua parte interna, o mesocarpo é formado de células menores, de paredes espessas; no limite
dessas duas zonas, localizam-se numerosos feixes vasculares. O endocarpo é formado por uma
camada de células alongadas radialmente, sob forma de paliçada, de 60 ?m de comprimento, em
média; na parte correspondente à deiscência (sutura ventral), essas células tornam-se menores, com
paredes desigualmente espessadas e pontoadas, e as células poligonais da zona mesocárpica vizinha
transformam-se num maciço esclerótico. O eixo central (columela), o pedúnculo (pedicelo) e o
mesocarpo contem numerosas células escleróticas características. Os esclereídes do pedicelo e do
mesocarpo são muito grandes e usualmente solitários; eles podem ser irregularmente ramificados ou
podem ter projeções mais curtas e afiladas. Outros esclereídes do mesocarpo são encontrados em
grupos, mas são alongados, com paredes espessadas e pontoadas. O tegumento seminal é formado
por camadas distintas. O tegumento externo está representado por um tecido hialino formado por 2-
3 camadas de células, seguido por um tegumento constituído por um estrato de osteoesclereídes,
com células alongadas radialmente, de paredes espessas e pontoadas; seguem-se várias camadas de
células de paredes lignificadas, espessadas e pontoadas, denominadas macroesclereídes, sendo as
camadas interiores de paredes delgadas; o tegumento interno é limitado por uma camada de células
com cristais de oxalato de cálcio. Na zona micropilar ocorrem braquiesclereídes. O endosperma
compõe-se de células poligonais com grãos de aleurona com cristalóides e gotas de óleo. O embrião
é pequeno.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ


O pó atende a todas as exigências estabelecidas para a espécie, menos os caracteres
macroscópicos. Apresenta coloração castanho-avermelhada. Costitui-se de células marrons do
epicarpo, de cutícula fortemente estriada; de células parenquimáticas do mesocarpo, com células de
óleo arredondadas; de esclereídes volumosos, irregularmente ramificados do pedicelo; de
esclereídes alongados do mesocarpo, com paredes espessas e pontoadas; de células colunares do
endocarpo, de paredes levemente espessadas, lignificadas, com pigmentos nas paredes terminais; de
massas amareladas de células pequenas, bastante espessas, pontoadas, provenientes da zona da
sutura carpelar; de células escleróticas (osteoesclereídes isolados, macroesclereídes e
braquiesclereídes) do tegumento da semente, dispostas em paliçada; de fragmentos hialinos do
tegumento externo da semente; de cristais tabulares de oxalato de cálcio; de albúmen com grãos de
aleurona com cristalóides.



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IDENTIFICAÇÃO


A. Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1), utilizando
cromatoplaca de sílica-gel GF254, com espessura de 250 mm como fase estacionária, e tolueno como
fase móvel. Aplicar, separadamente, em forma de banda, 10 ?l de solução amostra 2, 6 ?l de
solução amostra 1, e 4 ?l de solução referência.


Solução amostra 1: Ferver 1g de folículos moídos de badiana, sem sementes, com 10 ml de
etanol 90% durante 2 minutos. Filtrar.

Solução amostra 2: óleo essencial diluído em éter etílico na proporção de 1:30.


Solução referência: dissolver 3 ?l de anetol em 1 ml de tolueno.


Desenvolver o cromatograma em percurso de 10 cm. Após secagem da placa, examina-la sob luz
ultravioleta (254 nm). O cromatograma apresenta mancha de fluorescência atenuada, na mesma
altura obtida com a solução referência de anetol (Rf aproximado 0,6). Em seguida nebulizar com
anisaldeído sulfúrico e colocar em estufa a 100ºC-105°C, durante 5 minutos. A mancha
correspondente ao anetol apresenta coloração levemente violácea.


B. Ferver 1g de folículos moídos de badiana, sem sementes, com 10 ml de etanol 90% durante 2
minutos. Filtrar e separar o filtrado em duas partes. Parte1: em tubo de ensaio adicionar ao filtrado
10 ml de água destilada. Ocorre opalescência devido ao anetol. Parte 2: adicionar ao filtrado 25 ml
de água destilada. Em seguida, extrair 2 vezes com 20 ml de éter de petróleo. Evaporar o éter e
juntar ao resíduo 2 ml de ácido acético. Transferir para um tubo de ensaio e adicionar 3 gotas de
cloreto férrico SR. A seguir adicionar lentamente 2 ml de ácido sulfúrico. Na interface entre os dois
líquidos forma-se, imediatamente, um anel pardo devido ao anetol.



ENSAIOS DE PUREZA


Material estranho (V.4.2.2). No máximo 2%.


Determinação de água ( V.4.2.3). No máximo 7%.


Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 6%.



DOSEAMENTO DO ÓLEO ESSENCIAL


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Proceder conforme descrito em Determinação de óleos essenciais (V.4.2.6). Usar balão de 250
ml contendo 100 ml de água como líquido de destilação. Reduzir o fruto da badiana a pó grosseiro.
Proceder imediatamente à determinação do óleo essencial, a a partir de 20g da droga em pó.
Destilar por 2 horas.


DOSEAMENTO DE ANETOL

Determinar o teor de anetol no óleo essencial utilizando Cromatografia a gás (V.2.17.5), em
aparelho equipado com coluna capilar de 30 m de comprimento e 0,25 mm de diâmetro interno,
preenchida com polidifenildimetilsiloxano, com espessura do filme de 0,25 ?m. Utilizar detector de
ionização de chama. Como gás de arraste utilizar hélio à pressão de 80 kpa e velocidade linear de 1
ml por minuto. Como gases auxiliares à chama do detector, utilizar nitrogênio, ar sintético e
hidrogênio na razão de 1:1:10, respectivamente. Programar a temperatura da coluna de 60ºC a
300°C, a 3ºC por minuto (total: 80 minutos), a temperatura do injetor a 220ºC e a temperatura do
detector a 250°C. Diluir o óleo essencial na razão de 2:100 (V/V) em éter etílico. Injetar 1?l desta
solução no cromatógrafo a gás, utilizando divisão de fluxo de 1:50. O anetol apresenta tempo de
retenção linear (índice de Kovats) de 1277. A concentração relativa é obtida por integração manual
ou eletrônica. O teor de anetol não é inferior a 80,0%.



EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO


Em recipiente, bem fechado, ao abrigo da luz e do calor.






























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Figura 1: Illicium verum Hook.f. – A. aspecto do fruto; B. detalhe de um folículo em vista dorsal;
C. detalhe de um folículo em vista ventral; D. detalhe de três folículos vistos em A; E. secção
transversal do pericarpo na porção indicada em D; G. detalhe do endocarpo na região comissural; F.
fruto; ep. epicarpo. As escalas correspondem: em A, B, C (1) a 1 cm; em D (2) a 500 ?m; em E, F
(3) a 500 ?m.







Figura 2: Illicium verum Hook.f. – A. semente em vista lateral; B. semente em secção longitudinal;
C. braquiesclereides da zona micropilar; D. secção transversal da semente na porção indicada em B.
Outros detalhes: hi. hilo; mi. micrópila; eb. embrião; e. endosperma; t. tegumento. As escalas
correspondem: em A (1) a 1 cm; em B (2) a 100 ?m; em C, D (3) a 500 ?m.









Figura 3: Illicium verum Hook.f. em pó – A. epicarpo com estômato anomocítico e cutícula
estriada: B. células do parênquima do mesocarpo; C. células da zona comissural com paredes
espessadas; D. célula do endocarpo fora da zona comissural; E. esclereide; F. idioblasto com gotas
de óleo; G. porção do mesocarpo com idioblastos oleíferos e esclereides; H. células do endosperma
com glóbulos lipídicos e grãos de aleurona; I. osteoesclereídes em secção transversal; Ia. Os
mesmos em secção tangencial; J. cristais prismáticos de oxalato de cálcio; K. células da camada
cristalífera; L. braquiesclereides da região comissural; M. macroesclereíde alargado do mesocarpo,
com paredes espessas e pontoadas; N. esclereides volumosos e ramificados do pedicelo. As escalas
correspondem em: em A-K (1) a 100 ?m; em L-N (2) a 500 ?m.



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