Beladona

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre Beladona


BELADONA
Belladonnae folium

Atropa belladonna L. – SOLANACEAE
A droga é constituída das folhas secas e deve apresentar no mínimo 0,3 por cento de alcalóides
totais, expressos em hiosciamina com referência ao material seco 100-105°C. Entre estes alcalóides,
a hiosciamina, nitidamente preponderante, é acompanhada de pequenas quantidades de
escopolamina.

CARACTERES ORGANOLÉPTICOS

A droga apresenta sabor amargo e desagradável e odor fracamente nauseoso, lembrando o do
fumo.

DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA

As folhas são elípticas, oval-lanceoladas a largamente ovaladas, inteiras, de ápice acuminado,
base atenuada, simétrica e algo decurrente, e bordo inteiro. São anfiestomáticas e de simetria
dorsiventral. Medem 5,0 cm a 25,0 cm de comprimento e 3,0 cm a 12,0 cm de largura, com pecíolos
de 0,5 a 4,0 cm. A coloração varia do verde a castanho-esverdeado, mais escuras na face adaxial. As
folhas secas são enrugadas, friáveis e delgadas. As folhas jovens são pubescentes, porém as mais
idosas apresentam-se apenas ligeiramente pubescentes ao longo das nervuras e no pecíolo. A
nervação é do tipo peninérvea, sendo que as nervuras secundárias partem da nervura principal num
ângulo de cerca de 60° e se anastomosam próximo ao bordo. A superfície da lâmina é seca e aspera
ao tato, devido a presença de células com conteúdo microcristalino de oxalato de cálcio no
mesofilo. Estas células aparecem como minúsculos pontos brilhantes, quando a superfície é
iluminada; as outras células contraem-se mais durante a dessecação. O exame à lupa revela os
mesmos pontos escuros por transparência e brilhantes por reflexão.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA

A folha apresenta a epiderme uniestratificada, com células fundamentais de paredes anticlinais
sinuosas e com cutícula delgada e finamente estriada. Tricomas tectores e glandulares são
numerosos nas por toda lâmina. Os tricomas tectores são pluricelulares (duas a cinco células),
unisseriados e cônicos, de paredes lisas e delgadas; os tricomas glandulares possuem pedicelo
pluricelular, composto por duas a quatro células, com célula terminal claviforme, ou possuem
pedicelo pluricelular e cabeça pluricelular, formada por quatro a sete células, de aspecto ovóide a
piriforme. Os estômatos, do tipo anisocítico, são mais frequentes na epiderme abaxial. O mesofilo é
composto por uma camada de parênquima paliçádico uniestratificado, parênquima esponjoso com
Consulta Pública 38/2009
grandes idioblastos contendo cristais de oxalato de cálcio na forma de areia microcristalina. A
nervura principal é proeminente em ambas faces e apresenta feixes vasculares bicolaterais em arco
aberto, sendo o floema intraaxilar descontínuo. Abaixo da epiderme, em ambas faces da nervura
principal, ocorre colênquima angular.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ

O pó atende a todas as características estabelecidas para a espécie, menos os caracteres
macroscópicos. Possui coloração verde escura e o odor da droga inteira. Apresenta fragmentos de
limbo com células epidérmicas de paredes anticlinais sinuosas e cutícula com estrias; fragmentos do
mesofilo, em secção transversal, mostrando epiderme com poucos estômatos e parênquima
paliçádico uniestratificado; fragmentos da epiderme voltada para a face abaxial, em vista frontal,
mostrando estômatos anisocíticos e raros tricômas tectores e glandulares; fragmentos da epiderme
sobre as nervuras, em vista frontal, mostrando células alongadas e de paredes finas; fragmentos do
parênquima esponjoso e do parênquima paliçádico, em secção transversal, contendo muitos
idioblastos cristalíferos. Cristais prismáticos (prismas e maclas) e microcristais ocorrem em todos
os parênquimasm e também, cristais dos tipos descritos, isolados, devido à fragmentação do
material; tricomas glandulares, como os descritos, isolados, fragmentados ou inseridos à epiderme.
Tricomas tectores podem ocorrer isolados ou ocasionais.

IDENTIFICAÇÃO

Agitar 3 g de droga pulverizada com 30 ml de ácido sulfúrico 0,05 M SR durante 2 minutos e
filtrar. Alcalinizar o filtrado com 3 ml de hidróxido de amônio SR e adicionar através do filtro 15
ml de água. Transferir a solução alcalina para funil de separação e extrair sucessivamente com 3
aliquotas de 15 ml de clorofórmio. Reunir as fases clorofórmicas e adicionar sulfato de sódio
anidro. Filtrar e dividir o filtrado em duas cápsulas de porcelana, procedendo à evaporação do
solvente.
Na primeira cápusula adicione 0,5 ml de ácido nítrico fumegante e evapore à secura em banho-
maria. Adicione ao resíduo 2 ml de acetona e goteje uma solução de hidróxido de potássio 10% em
álcool R, desenvolvendo uma coloração violeta intensa.
Usar a segunda cápsula para a execução do ensaio de cromatografia (B).

Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1), utilizando sílica-
gel GF254, como suporte, e mistura de toluento – acetato de etila- dietilamina (7:2:1) como fase
móvel. Aplicar, separadamente, na placa, em traços de 20 mm por 3 m, a 1 cm de distância, 20 µl
das soluções a seguir respectivamente:

Solução amostra: Na cápsula reservada para esse fim no ensaio de identificação A, dissolver o
resíduo em 0,25 ml de metanol.

Solução de referência: dissolver 24 mg de sulfato de atropina em 9 ml de metanol e 7,5 mg de
bromidrato de escopolamina em 10 ml de metanol. Misturar 9 ml da solução de sulfato de atropina e
1 ml da solução de bromidrato de escopolamina.

Desenvolver o cromatograma em percurso de 10 cm. Dessecar a placa a 100- 105 °C por 15
minutos. Deixar esfriar e nebulizar sucessivamente com reagente de Dragendorff SR e solução
etanólica de ácido sulfúrico a 5% SR (ou solução aquosa de nitrito de sódio a 5% p/v), até o
aparecimento de manchas vermelhas ou vermelho-alaranjadas sobre fundo amarelo cinzento. A
solução de referência apresenta, quando examinada sob luz visível, manchas com Rf variando de
0,3 a 0,45, correspondente à hiosciamina/atropina e bandas com Rf variando de 0,55 a 0,65
correspondentes a escopolamina. As bandas da solução amostra deverão ser semelhantes quanto á
Consulta Pública 38/2009
posição e coloração àquelas obtidas com a solução de referência.

ENSAIOS DE PUREZA

Material estranhos (V.4.2.2). No máximo de 3 por cento de caules com um diâmetro superior a
5 mm. Não deverá conter fragmentos de folhas com ráfides entre as nervuras (Phytolacca
americana L.), nem apresentar camadas de células com maclas de oxalato de cálcio ao longo das
nervuras (Ailanthus altrissima Swingle).

Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 10,0 por cento.

Cinzas insolúveis (V.4.2.5). No máximo 4,0 por cento.

DOSEAMENTO

Pesar 50 g da droga e reduzir completamente a pó (180). Com o pó determinar a perda por
secagem e os alcalóides totais.
Determinar a perda por secagem com 2,0 g, por aquecimento em estufa em 100 - 105°C.
Pesar 10,0 g do pó, umedecer com uma mistura de 5 ml de amônia R, 10 ml de álcool R e 30 ml
de éter isento de peróxidos e agitar vigorosamente. Transferir a mistura para um percolador, se
necessário com a ajuda da mistura extratora. Macerar por 4 h e percolar com a mistura de 1 volume
de clorofórmio R e 3 volumes de éter isento de peróxidos R até extrair completamente os alcalóides.
Evaporar até a secura 1 ml do líquido fluindo do percolador, dissolver o resíduo em solução de
ácido sulfúrico 0,25 M e verificar a ausência de alcalóides usando solução tetraiodomercurato de
potássio R. Concentrar o percolado até 50 ml por destilação no banho-maria e transferir para um
funil de separação, enxaguando com éter isento de peróxidos R. Adicione uma quantidade de éter
isento de peróxidos R igual a pelo menos 2,1 vezes o volume do percolador para produzir um
líquido de densidade bem abaixo da água. Extraia a solução com não menos do que três vezes, cada
uma com 20 ml de solução de ácido sulfúrico 0,25 M, separe as duas fases, por centrifugação se
necessário, e transfira a fase ácida para um segundo funil de separação. Alcalinize a camada ácida
com amônia R até pH 8-9 e extraia três vezes, cada com 30 ml, com clorofórmio R. Junte as fases
clorofórmicas, adicione 4 g de sulfato de sódio anidro R e deixe em repouso por 30 min com
agitação ocasional. Decante o clorofórmio e lave o sulfato de sódio com clorofórmio R, 3 vezes de
10 ml. Adicione os lavados ao extrato clorofórmico, evapore até secura em destilação no banho-
maria e aqueça em estufa a 100-105 °C por 15 min. Dissolva o resíduo 5 ml de clorofórmio R,
adicione 20,0 ml de solução de ácido sulfúrico 0,01 M e remova o clorofórmio por evaporação em
banho-maria. Titule o excesso de ácido com solução de hidróxido de sódio 0,02 M usando vermelho
de metila R como indicador.
Calcule a percentagem de alcalóides totais, expressos em hiosciamina, pela expressão:

57
(
88
,
20 ? n)

100
(
? d)m

Em que:

d = perda por secagem, em %;
n = volume da solução de hidróxido de sódio 0,02 M usado, em ml;
m = massa da droga usada, em g.

EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO

Consulta Pública 38/2009
Em recipientes bem fechados, protegidos da luz e da umidade.


Atropa belladonna L. SOLANACEAE. A. representação esquemática da folha; pl: pecíolo; lf: lâmina
foliar. B. detalhe de porção da epiderme voltada para a face adaxial em vista frontal; es: estômato, tt:
tricoma tector; tg: tricoma glandular. C. detalhe da porção do mesofilo, em secção transversal da
lâmina foliar; tg: tricoma glandular; tt: tricoma tector; cu: cutícula; ep: epiderme; pp: parênquima
paliçádico; ic: idioblato contendo microscristais de oxalato de cálcio; pj: parênquima esponjoso. D.
detalhe de porção da epiderme voltada para a face abaxial, em vista frontal; es: estômato anisocítico;
tg: tricoma glandular; tt: tricoma tector pluricelular.



Síguenos

X