BELLADONNA

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre BELLADONNA



BELLADONNA


Atropa belladonna (L.) - SOLANACEAE

SINONÍMIA HOMEOPÁTICA

Atropa belladonna, Solanum furiosum, Belladonna bacifera.

DESCRIÇÃO DA PLANTA

Atropa belladonna L. é planta perene com raiz carnosa fusiforme apresentando numerosas
ramificações de cor parda. Pode atingir até 2 metros de altura. É lignificada na base, ramificada
apresentando pêlos glandulosos. As folhas são alternas, simples, elípticas, oval-lanceoladas a
largamente ovadas, inteiras, de ápice acuminado, base atenuada, simétrica e algo decurrente, e bordo
inteiro. Medem 5 – 25 cm de comprimento a 3 – 12 de largura, com pecíolos de 0,5 – 4 cm. A
coloração varia do verde ao castanho-esverdeado, sendo mais escura na face superior. As folhas secas
são enrugadas, friáveis e delgadas. As folhas jovens são pubescentes, porém as mais velhas
apresentam-se apenas ligeiramente pubescentes ao longo das nervuras e do pecíolo. A nervação é do
tipo peninérvea, sendo que as nervuras laterais partem da nervura mediana num ângulo de cerca de

60° e se anastomosam próximo à borda. A superfície da folha é seca e áspera ao tato, devido a
presença de células com conteúdo microcristalino de oxalato de cálcio no mesofilo. Estas células
aparecem como minúsculos pontos brilhantes, quando a superfície é iluminada; as outras células
contraem-se mais durante a dessecação. O exame à lupa revela os mesmos pontos escuros por
transparência e brilhantes por reflexão. As sumidades floridas apresentam a haste oca e achatada, na
qual se inserem folhas geminadas, de tamanho desigual, na axila das quais estão localizadas flores
solitárias. As flores possuem cálice persistente, gamossépalo, de 5 lobos triangulares; a corola é
campanulada, purpúrea a castanho-amarelada, com cinco pequenos lobos voltados para o exterior. A
corola mede até 2,5 cm de comprimento por 1,2 cm de largura. O androceu tem cinco estames
epipétalos. O gineceu é de ovário súpero bilocular, com numerosos rudimentos seminais. O fruto é
subglobular, de cor verde até castanho ou negro-violáceo, com até 1,2 cm de diâmetro e cálice
persistente. O fruto, quando maduro, contém numerosas sementes castanho escuras e reniformes.

PARTE EMPREGADA

Planta inteira florida.

DESCRIÇÃO DA DROGA

A droga é constituída por folhas e flores com aspecto ondulado.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA

A folha apresenta epiderme uniestratificada com células de contorno arredondado ou alongado no
sentido periclinal, com paredes anticlinais sinuosas, de cutícula delgada e finamente estriada.
Tricomas tectores e glandulares são numerosos nas folhas jovens e sobre as nervuras das folhas
adultas. Os tricomas tectores são pluricelulares (duas a cinco células), unisseriados e cônicos, de
paredes lisas e delgadas; os tricomas glandulares são de dois tipos: um possui pedicelo unicelular e
glândula composta por duas a quatro células dispostas em duas séries e encimado por uma célula
terminal, adquirindo o conjunto aspecto claviforme, o outro apresenta pedicelo unisseriado e cabeça
unicelular. Os estômatos, do tipo anisocítico, são mais freqüentes na epiderme abaxial. O mesofilo é
composto por uma única camada de parênquima paliçádico e, logo abaixo, parênquima esponjoso,
onde ocorrem grandes idioblastos repletos de cristais tetraédricos de oxalato de cálcio denominados
de bolsas de areia microcristalina. A nervura mediana é saliente em ambas as faces e apresenta feixes
vasculares bicolaterais em arco aberto, sendo o floema intra-axilar descontínuo. Abaixo da epiderme,
em ambas as faces da nervura mediana, ocorre colênquima angular. O caule do tipo eustélico
apresenta células epidérmicas de contorno aproximadamente retangular alongadas no sentido
anticlinal, com cutícula estriada e alguns tricomas semelhantes aos descritos para as folhas. Região
colenquimática pouco desenvolvida ocorre logo abaixo da epiderme. O parênquima cortical é
igualmente pouco desenvolvido e a endoderme contém amido. Os feixes vasculares são do tipo
bicolateral e no parênquima, localizado internamente, ocorrem ilhotas de elementos de tubos crivados
perimedulares. Nos parênquimas cortical e medular ocorrem microcristais de oxalato de cálcio bem
como grupo de fibras na periferia do floema externo. O cálice contém tricomas glandulares
pluricelulares, unisseriados, semelhantes aos das folhas. A corola tem a epiderme interna revestida de
papilas; a epiderme externa tem paredes anticlinais onduladas com tricomas semelhantes aos do
cálice e da folha.
Ao exame microscópico não deverão ser observados fragmentos de folhas com ráfides entre as
nervuras (Phytolacca americana L.), nem apresentar camadas de células com maclas de oxalato de
cálcio ao longo das nervuras (Ailanthus altissima Swingle).

IDENTIFICAÇÃO DA DROGA

A. Agitar 3 g de droga pulverizada com 30 ml de ácido sulfúrico 0,05 M durante 2 minutos e
filtrar. Alcalinizar o filtrado com 3 ml de hidróxido de amônio e adicionar através do filtro 15 ml de
água purificada. Transferir a solução alcalina para funil de separação e extrair sucessivamente com
3 alíquotas de 15 ml de clorofórmio. Reunir as fases clorofórmicas e adicionar sulfato de sódio
anidro. Filtrar e dividir o filtrado em três cápsulas de porcelana procedendo à evaporação do
solvente. Reservar a terceira cápsula para a execução do ensaio de cromatografia (b).Em uma das
cápsulas, adicionar 0,5 ml de ácido nítrico fumegante e evaporar em banho-maria até a secura
completa. Adicionar algumas gotas de solução alcoólica de hidróxido de potássio a 3% (p/V).
Observa-se coloração violeta, que se intensifica com a adição de 1 ml de acetona, caracterizando a
presença de atropina e/ou hiosciamina. Na segunda cápsula, adicionar uma gota de Reagente de
Wasicky e aquecer ligeiramente. Forma-se coloração roxo-avermelhada (atropina e/ou
hiosciamina).

B. Empregar Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1) F.Bras. IV, utilizando sílica-gel G com
espessura de 250 ?m como suporte e mistura tolueno-acetato de etila-dietilamina (7:2:1), como fase
móvel. Aplicar, separadamente, em forma de banda, 20 ?l de cada uma das seguintes soluções:
Solução amostra: Na cápsula reservada para esse fim no ensaio de identificação (a), dissolver o
resíduo com 0,25 ml de metanol. Solução de referência: dissolver 24 mg de sulfato de atropina em
9 ml de metanol e 7,5 mg de bromidrato de escopolamina em 10 ml de metanol. Misturar 9 ml da
solução de sulfato de atropina e 1 ml da solução de bromidrato de escopolamina. Desenvolver o
cromatograma em percurso de 10 cm. Dessecar a placa a 100-105 °C por 15 minutos. Deixar esfriar
e nebulizar com Reagente de Dragendorff, deixar secar e a seguir nebulizar com solução etanólica
de ácido sulfúrico a 5 % (p/V) (ou solução aquosa de nitrito de sódio a 5 % (p/V)), até o
aparecimento de manchas vermelhas ou vermelho-alaranjadas sobre fundo cinza-amarelado. A
solução de referência apresenta, quando examinada sob luz visível, bandas com Rf variando de 0,30
a 0,45, correspondentes à hiosciamina/atropina e bandas com Rf variando de 0,55 a 0,65
correspondentes à escopolamina. As bandas da solução da amostra deverão ser semelhantes quanto
à posição e coloração àquelas obtidas com a solução de referência.
PREPARAÇÃO DA TINTURA-MÃE

A tintura mãe de Belladona é preparada por maceração ou percolação, de forma que o teor alcoólico
durante e ao final da extração seja de 45% (V/V), segundo a técnica geral de preparação de tintura-
mãe (X.1) Farm. Hom. Bras.

CARACTERÍSTICAS DA TINTURA-MÃE

Líquido de cor castanha, de odor ligeiramente aromático e de sabor ligeiramente amargo contendo, no
mínimo, 0,02% de alcalóides totais expressos em hiosciamina.

IDENTIFICAÇÃO

A. Acidificar 5 ml da tintura-mãe com quantidade suficiente de ácido clorídrico a 10% (V/V).
Extrair com 5 ml de éter etílico; eliminar a fase etérea e alcalinizar a fase aquosa com quantidade
suficiente de hidróxido de amônio concentrado; extrair com 10 ml de éter etílico; desprezar a fase
aquosa; evaporar a fase etérea em banho-maria fervente. Ao resíduo obtido, adicionar 0,5 ml de
ácido nítrico fumegante e evaporar, em banho-maria, até a secura. Tratar o resíduo com quantidade
suficiente de acetona e acrescentar, gota a gota, solução de hidróxido de potássio a 3 % (p/V) em
etanol a 96% (V/V). Observa-se coloração violácea.

B. Colocar para evaporar, em banho-maria fervente, 10 ml da tintura-mãe. Tratar o resíduo obtido
com 10 ml de água purificada, filtrar e extrair o filtrado com 10 ml de clorofórmio, separar e
evaporar o extrato clorofórmico em banho-maria fervente. Tratar o resíduo formado com 10 ml de
água purificada previamente aquecida e acrescentar à solução assim formada, 1 ml de hidróxido de
amônio concentrado. Examinar à luz ultravioleta de onda longa (365 nm). A mistura apresenta
fluorescência azul.

C. Evaporar 1 ml da tintura-mãe em banho-maria fervente. Tratar o resíduo com algumas gotas de
ácido clorídrico a 10 % (V/V). À solução, acrescentar algumas gotas do reagente de Dragendorff.
Observa-se a formação de precipitado de cor laranja.

D. Repetir a operação anterior substituindo o reagente de Dragendorff pelo reagente de Mayer.
Observa-se a formação de precipitado branco.

ENSAIOS

Título em etanol. O teor em etanol deve estar compreendido entre 40 e 50% (V/V).

Resíduo seco.
O resíduo seco deve ser igual ou superior a 1,20%.

Cromatografia em camada delgada
(V.2.17.1) F. Bras. IV. Desenvolver cromatografia sobre
camada delgada de sílica-gel G. Aplicar sobre a placa, 20 ?l da tintura-mãe. Desenvolver
cromatografia empregando como fase móvel mistura solvente formada por n-butanol-ácido acético
glacial-água purificada (4:1:1). Desenvolver a cromatografia num percurso de 10 cm. Deixar a placa
secar ao ar. Examinar à luz ultravioleta de onda longa (365 nm). O cromatograma apresenta,
geralmente, duas manchas castanho-acinzentadas com valores Rf vizinhos a 0,40 e 0,60 e uma
mancha fluorescente azul brilhante com Rf vizinho a 0,90. Pode haver ainda uma quarta mancha
fluorescente vermelha com Rf próximo a 0,97. Em seguida, nebulizar a placa com solução de
tricloreto de alumínio a 1 % (p/V) em etanol a 96% (V/V). Examinar à luz ultravioleta de onda longa
(365 nm). Observa-se duas manchas com fluorescência amarela e com valores Rf próximos a 0,40 e
0,60.
Desenvolver uma segunda cromatografia em cada camada delgada de sílica-gel G tendo como
solução-padrão a dissolução de 24 mg de sulfato de atropina em 9 ml de metanol em mistura com
solução de 7,5 mg de bromidrato de escopolamina em metanol preparada separadamente e da qual se
adiciona 1 ml à solução de sulfato de atropina, no momento de uso.
Preparar a amostra a analisar, evaporando 5 ml da tintura-mãe em banho-maria fervente. Tratar o
resíduo com 2 ml de ácido sulfúrico 0,05 M, filtrar. Ao filtrado, adicionar 1 ml de hidróxido de
amônio concentrado e extrair com 10 ml de éter etílico, separar a fase etérea e dessecá-la com sulfato
de sódio anidro, filtrar. Evaporar o solvente em banho-maria fervente. Dissolver o resíduo obtido com
1 ml de metanol. Depositar sobre a placa 20 ?l da solução–padrão e 20 ?l da amostra em análise.
Desenvolver a cromatografia num percurso de 10 cm tendo como fase móvel mistura solvente
formada por acetona-água purificada hidróxido de amônio concentrado (90:7:3). Retirar a placa e
aquecer a 100 – 105 °C até eliminação total da mistura solvente. Deixar esfriar. Nebulizar a placa, em
seguida, sucessivamente com reagente de Dragendorff e com solução de ácido sulfúrico 0,05 M.
Deverão surgir manchas vermelho-alaranjadas sobre fundo amarelo. Examinar à luz natural. O
cromatograma da solução-padrão apresenta mancha com Rf próximo a 0,30 e uma outra com Rf
próximo a 0,85.

DOSEAMENTO

Em rotavapor (ou em banho-maria fervente), concentrar 100 g de tintura-mãe até reduzir o peso da
amostra a cerca de 10 g. Remover a mesma do balão, se necessário com o emprego de alguns ml de
etanol a 70 % (V/V), transferindo quantitativamente a mesma para funil de separação, seguida da
adição de 5 ml de hidróxido de amônio concentrado e 2,5 ml de água purificada. Extrair
sucessivamente com a mistura solvente formada por éter-clorofórmio (3:1) até a extração total de
alcalóides, cessando a extração quando não mais se observar reação dos extratos obtidos quando os
respectivos resíduos forem tratados com gotas de ácido clorídrico a 10 % (V/V) e gotas de reagente
de Dragendorff. Reunir todas as extrações e extraí-las, em seguida, com quantidades suficientes de
solução de ácido sulfúrico 0,3 M, sucessivamente. Filtrar cada solução ácida e reuni-las em outro
funil de separação. Alcalinizar com quantidade suficiente de hidróxido de amônio concentrado e
extrair sucessivamente com clorofórmio até que o resíduo final não dê mais reação positiva para
alcalóides com o emprego do reagente de Dragendorff, conforme procedimento anterior. Lavar a
solução clorofórmica com 10 ml de água purificada; separar e concentrar a fase clorofórmica até a
secura em rotavapor (ou em banho-maria fervente). Manter o balão em banho-maria fervente por 15
minutos. Ressuspender o concentrado (resíduo) com quantidade suficiente de clorofórmio mantendo o
balão em banho-maria fervente por 15 minutos. Dissolver novamente o resíduo com quantidade
suficiente de clorofórmio adicionar à solução assim formada, 20 ml de solução 0,01 M de ácido
sulfúrico e eliminar o excesso de clorofórmio por evaporação. Titular o excesso de ácido sulfúrico
0,01 M com solução padronizada de hidróxido de sódio 0,01 M em presença de solução de vermelho
de metila SI. Cada ml de solução padrão de ácido sulfúrico 0,01 M consumido corresponde a 5,788
mg de alcalóides totais expressos em hiosciamina.

CONSERVAÇÃO

Em frasco de vidro neutro, âmbar, bem fechado, ao abrigo da luz e do calor.

FORMA DERIVADA

Ponto de partida.
Tintura-mãe

Insumo inerte.
A partir de 1CH ate 3CH ou 1DH até 6DH, utilizar o mesmo teor alcoólico da tintura
mãe. Para as demais dinamizações, seguir a regra geral de preparação de formas farmacêuticas
derivadas.

Método.
Hahnemanniano (XI.I), Korsakoviano (XI.II), Fluxo Contínuo (XI.III); Farm. Hom. Bras. II,
1997.

Dispensação.
A partir de 1 CH ou 2 DH, seguindo regra geral de dispensação.

Conservação. Em frasco de vidro neutro, bem fechado, ao abrigo da luz e do calor.


REAGENTES E SOLUÇÕES REAGENTES

Reagente de Wasicky
Dissolva 0,5 g de p-dimetilaminobenzaldeido R em 8,5mL de acido sulfúrico R , e adicione
cuidadosamente 8,5mL de água.


Reagente de Dragendorff
Solução A: dissolver 17 g de subnitrato de bismuto e 200 g de ácido tartárico em 800 ml de água
purificada;
Solução B: dissolver 160 g de iodeto de potássio em 400 ml de água purificada;
Solução estoque: solução A + solução B;
Solução para nebulização: 50 ml de solução estoque + 500 ml de água purificada + 100 g de ácido
tartárico.

Reagente de Mayer
Dissolver 1,35 g de cloreto de mercúrio em 60 ml de água purificada e, separadamente, 7 g de iodeto
de potássio em 20 ml de água purificada. Misturar as duas soluções, agitar, filtrar e completar a 100
ml com água purificada.








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