CRATEGO

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre CRATEGO


CRATEGO
Crataegi folium cum flore

Crataegus spp. - ROSACEAE.
A droga vegetal é constituída por ramos floridos, secos, inteiros ou rasurados de
Crataegus monogyna Jacq., Crataegus oxyacantha L., para Crataegus laevigata (Poir.)
DC., Crataegus pentagyna Waldst. et Kit., Crataegus nigra Waldst. et Kit., Crataegus
azarolus L., incluindo folhas, flores e frutos, contendo no mínimo 1,5% de flavonóides
totais expressos como hiperosídeo (C21H20O12; M 464,4), em relação à droga seca.

CARACTERES ORGANOLÉPTICOS

As folhas secas possuem odor característico e são insípidas

DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA

As folhas de cratego são simples, com três ou mais lóbulos, partidas a sectas,
alternas, pilosas e com pecíolo longo. Tanto a base quanto o ápice do limbo são agudos, e o
bordo apresenta-se serrilhado irregularmente. São peninérveas, com nervuras secundárias
partindo em ângulo agudo em relação à principal, e terminado no bordo do limbo. As
nervuras de ordens superiores formam aréolas fechadas com poucas ramificações terminais.
As flores são pequenas, longamente pedunculadas, pentâmeras, pétalas livres de contorno
arredondado, unha curta, alvas, levemente pardas nas amostras desidratadas. O cálice
mostra lacínios com ápices agudos e, juntamente com o hipanto, formam uma estrutura
pilosa e de coloração pardo-esverdeada na amostras secas. Numerosos estames, com
grandes anteras, estão presentes nestas flores.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA

As folhas são recobertas com cutícula espessada, mais expressiva na face adaxial. A
epiderme é uniestratificada, com células epidérmicas comuns de dimensões variadas e faces
anticlinais sinuosas, mais pronunciadas na face abaxial que na oposta. Em secções
transversais, verifica-se que as células epidérmicas comuns da face adaxial são mais
volumosas que as da face oposta. Os estômatos, presentes apenas na face abaxial, são do
tipo ciclocítico, com células-guarda reniformes típicas e com pronunciado espessamento na
parede anticlinal interna. Sobre as células subsidiárias a cutícula é estriada
concentricamente às células-guarda. Como anexos epidérmicos, presente em ambas as
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faces foliares, estão tricomas unicelulares, pontiagudos, longos e com parede muito
espessada. Em sua base ocorrem 7-8 células epidérmicas comuns dispostas em roseta,
recobertas por pronunciado acúmulo de cutícula. O mesofilo apresenta dois, ou mais
raramente, três estratos de parênquima paliçádico. O parênquima esponjoso apresenta
células alongadas com braços curtos, mas que permitem a formação de amplos espaços
intercelulares. Drusas com arestas erodidas e/ou disformes, de oxalato de cálcio, são
comuns por todo clorênquima, enquanto que cristais prismáticos (cúbicos e rômbicos) de
tamanhos variados localizam-se nas proximidades dos feixes vasculares. A nervura
principal, de secção transversal plano-convexa a côncavo-convexa, mostra-se proeminente
na face abaxial, contando com 3-4 estratos de colênquima anelar nesta região. O feixe
vascular da nervura principal é do tipo colateral em arco aberto, com fibras lignificadas em
ambos os pólos de tecidos condutores; estando o conjunto envolto por uma bainha de
células parenquimáticas. Tal feixe pode ser único, ou em número de 2-3, dependendo da
folha analisada. Os feixes vasculares de menor calibre também são colaterais com calotas
de fibras em ambos os pólos de tecidos condutores, envoltos por uma bainha
parenquimática. O pecíolo pode ter contorno plano-convexo a côncavo-convexo, em
secções transversais, estando recoberto por cutícula espessada. Nesta porção foliar ocorrem
5-6 estratos de colênquima anelar, enquanto que os tecidos condutores estão organizados
em um único feixe vascular em arco aberto com bordos pouco elevados. Em algumas
amostras verifica-se uma pequena flexão nos bordos do arco, composta apenas pelo floema.
As pétalas de cratego apresentam epiderme papilosa recoberta por cutícula ornamentada
com pequenas projeções, também presentes nas sépalas e antera. O mesofilo das pétalas é
homogêneo, composto por 10-12 estratos na região central-mediana e 2-3 estratos nos
bordos e terço superior. Nas anteras, o endotécio apresenta espessamentos anticlinais
paralelos entre si, às vezes entrelaçados na diagonal. Os grãos de pólen são tricolpados e
ornamentados com pequenas papilas esféricas. Na face interna da base das sépalas está o
nectário floral.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ

O pó atende a todas as características estabelecidas para a espécie, menos os
caracteres macroscópicos. São características: tricomas unicelulares com paredes
espessadas, fragmentados ou íntegros; fragmentos de epiderme foliar com células dispostas
em roseta na base dos tricomas; estômatos ciclocíticos com células subsidiárias com
cutícula estriada; células epidérmicas comuns com paredes sinuosas, mais ou menos
pronunciadas, dependendo da amostra e da face foliar; fragmentos de mesofilo dorsivental
com drusas disformes e cristais prismáticos acompanhando os feixes vasculares.

IDENTIFICAÇÃO

A. Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1),
utilizando cromatoplaca de sílica-gel F254, com espessura de 0,25 mm, como suporte, e
mistura de ácido fórmico anidro:água:etil-metil-cetona:acetato de etila (10:10:30:50; V/V),
como fase móvel. Aplicar, separadamente, a placa, em forma de banda, 20 ?l das soluções
(1), (2) e (3), preparadas antes do uso, como descrito a seguir.
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Solução (1): Pesar exatamente cerca de 1 g da droga moída (350), acrescentar 10 ml
de metanol, aquecer sob refluxo por 5 minutos, à temperatura de 65 ºC. Após resfriamento
à temperatura ambiente, filtrar a solução obtida em papel filtro, sob pressão reduzida.

Solução (2): Dissolver 1 mg de ácido clorogênico em 10 ml de metanol.

Solução (3): Dissolver 1 mg de hiperosídeo em 5 ml de metanol.
Desenvolver o cromatograma em percurso de 4 cm. Remover a placa, deixar na
estufa a 105 ºC por 15 minutos e observar sob luz ultravioleta longa (365 nm). Observa-se a
presença de quatro bandas fluorescentes na solução amostra (1), sendo a superior uma
banda de coloração verde-amarelada, abaixo uma banda de coloração amarelo-alaranjada e
Rf de 0,65, correspondente ao hiperosídeo, uma banda de coloração amarelada, semelhante
ao ácido clorogênico com Rf de 0,53, e a banda inferior de coloração verde-amarelada.

B. Aquecer, sob refluxo, cerca de 3 g da droga pulverizada com 60 ml de água
destilada durante 15 minutos. Esfriar e filtrar. A 2 ml do extrato adicionar 2 gotas de ácido
clorídrico SR e gotejar solução de gelatina SR. Aparecimento de precipitado nítido indica
reação positiva para taninos totais.

C. A 2 ml do extrato obtido do teste B, adicionar 10 ml de água destilada e 2 a 4
gotas de solução de cloreto férrico a 1% (p/V) em etanol. O desenvolvimento de coloração
cinza-escuro, indica positivo para taninos.

D. A 2 ml do extrato obtido no teste B, adicionar 0,5 ml de vanilina a 1% (p/V) em
metanol e 1 ml de ácido clorídrico. O desenvolvimento de coloração vermelha, indica
reação positiva para taninos condensados.

E. A 5 ml do extrato obtido no teste B, adicionar 10 ml de ácido acético 2 M e 5 ml
de acetato de chumbo (II) SR. O aparecimento de precipitado esbranquiçado, indica
presença de taninos.

F. A 5 ml do extrato obtido no teste B, adicionar pequenos fragmentos de magnésio
metálico e 1,0 ml de ácido cloridríco R. O aparecimento de coloração vermelha indica a
presença de agliconas flavonoídicas.

ENSAIOS DE PUREZA

Material estranho (V.4.2.2). No máximo 8% de ramos lignificados e 2% de outros
materiais estanhos.

Determinação de água (V.4.2.3). No máximo 11%.

Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 10%.

Cinzas sulfatadas (V.2.20). No máximo 12%.
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DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE ESPUMA (IE)

Transferir exatamente cerca de 1 g da droga vegetal moída (180), para erlenmeyer
contendo 50 ml de água fervente. Manter sob fervura moderada durante 15 minutos.
Resfriar, filtrar em algodão para balão volumétrico de 100 ml. Completar o volume, através
do filtro, até 100 ml. Distribuir o decocto obtido em 10 tubos de ensaio com tampa (16 mm
de diâmetro por 16 cm de altura), em uma série sucessiva de 1, 2, 3, até 10 ml, e ajustar o
volume do líquido em cada tubo a 10 ml com água. Tampar os tubos e agitá-los
vigorosamente com movimentos verticais por 15 segundos, com 2 agitações por segundo.
Deixar em repouso por 15 minutos e medir a altura da espuma. Após, adicionar em cada
tubo 1 ml de ácido clorídrico 2 N, se a altura da espuma de todos os tubos for inferior a 1
cm, o índice de espuma é menor do que 100. Se, em qualquer um dos tubos, a altura da
espuma medida permanecer, após 10 minutos, igual ou superior a 1 cm, a diluição do
material vegetal nesse tubo (A) é o índice observado. Calcular o índice conforme a
expressão:

1000
IE =

A

Em que:
A = volume, em ml, do decocto usado para preparação da diluição no tubo onde a
espuma foi observada.

O IE para o decocto deve ser no mínimo de 100.

DOSEAMENTO

Flavonóides Totais

Solução mãe: pesar, exatamente, cerca de 0,400 g da droga pulverizada (250) e
transferir para erlenmeyer de 200 ml e adicionar 40 ml de álcool 60% (V/V). Colocar em
banho-maria à 60 °C por 10 minutos com agitação freqüente. Resfriar e filtrar em algodão
para balão volumétrico de 100 ml. Retornar o resíduo insolúvel e o algodão para o mesmo
erlenmeyer, adicionar 40 ml de álcool 60% (V/V) e levar, novamente ao banho-maria por
10 minutos com agitação freqüente. Filtrar a solução em algodão para o balão volumétrico
como previamente descrito. Completar o volume com álcool 60% (V/V).

Solução amostra: transferir volumetricamente 5,0 ml da solução mãe para balão de
fundo redondo 100 ml e evaporar até secura em evaporador rotatório. Solubilizar o resíduo
em 8 ml de solução metanol:ácido acético glacial (10:100; V/V) e transferir para balão
volumétrico de 25 ml. Lavar com 3 ml da solução metanol:ácido acético glacial (10:100;
V/V) o balão de fundo redondo a transferir para o balão volumétrico como previamente
descrito. Adicionar 10 ml da solução reagente. Levar em banho de gelo para resfriar por 10
minutos. Não permitir o congelamento. Completar o volume com ácido acético anidro.
Colocar imediatamente em banho de gelo. Retirar 10 minutos antes da leitura em
espectrofotômetro.
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Solução branco: transferir volumetricamente 5,0 ml da solução mãe para balão de
fundo redondo 100 ml e evaporar até secura em evaporador rotatório. Solubilizar o resíduo
em 8 ml de solução metanol:ácido acético glacial (10:100; V/V) e transferir para balão
volumétrico de 25 ml. Lavar com 3 ml da solução metanol:ácido acético glacial (10:100;
V/V) o balão de fundo redondo a transferir para o balão volumétrico como previamente
descrito. Adicionar 10 ml de ácido fórmico anidro. Levar em banho de gelo para resfriar
por 10 minutos. Não permitir o congelamento. Completar o volume com ácido acético
anidro. Colocar imediatamente em banho de gelo. Retirar 10 minutos antes da leitura em
espectrofotômetro.

Solução reagente: ácido bórico 25 g/l e ácido oxálico 20 g/l em ácido fórmico
anidro. Solubilizar sob aquecimento em chapa quente em capela de exaustão.

Medir a absorvância da solução amostra após 30 minutos no comprimento de onda
de 410 nm. Calcular a porcentagem do teor de flavonóides totais expressos em hiperosídeo.
Considerar, a absortividade específica do hiperosídeo igual a 405. Calcular a porcentagem
do teor de flavonóides totais pela expressão:

Abs ,
1
. 235
H =

m
Em que:
Abs = absorvância da solução amostra;
m = massa da droga, em gramas, considerando a determinação de água.

EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO

Em recipientes bem-fechados, ao abrigo da luz e do calor.
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est
bo
hip
cl
ar
B
ns D
pc
np
A
E
ce
C
es
cs
cg
F
G
H
cr
tr
cu
ep
ad
tr
tr
pp
I
J
K
Figura 1: Crataegus spp. - A. aspecto geral de um ramo na fase de pré-antese; B.
detalhe parcial de um ramo após a queda das corolas; C. aspecto geral de uma
folha; D. detalhe parcial da nervação foliar em destaque em C; E. detalhe parcial
das aréolas e terminações vasculares; F e G. vista frontal da face adaxial e abaxial
foliar, respectivamente; H. detalhe dos estômatos; I. tricoma tector foliar; J e K.
detalhes da inserção do tricoma em vista frontal e transversal, respectivamente. ad:
face adaxial, ar: aréola, bo: botão floral, ce: célula epidérmica comum, cg: célula-
guarda, cl: cálice, cr: células em roseta, cs: célula subsidiária, cu: cutícula, ep:
epiderme, es: estômato, est: estames, hip: hipanto, np: nervura principal, ns:
nervura secundária, pc: pecíolo, pp: parênquima paliçádico, tr: tricoma. Escalas e
correspondências: 0,5 cm (A, B, C), 1 mm (D), 0,5 mm (E), 50 µm (F, G, I e J), 25
µm (H e K).






ep
ep
pp
ad
ad
fv
fx
ba
ff
x
f
pj
pj
ic
ab
ep
ab
es
A
ep
B
fx
ic
dr
x
cr
f
D
ba
ff
dr
C
E
Figura 2: Crataegus spp. - Secções transversais da lâmina foliar. A. detalhe do
mesofilo mediano com um feixe vascular terciário; B. detalhe de um feixe
vascular secundário nas proximidades do bordo foliar; C. detalhe parcial do feixe
vascular da nervura principal; D. fragmento do pó mostrando cristais próximos aos
feixes vasculares; E. detalhe de uma drusa em um fragmento do pó. ab: face
abaxial, ad: face adaxial, ba: bainha do feixe vascular, cr: cristal prismático, dr:
drusa, es: estômato, ep: epiderme, f: floema, ff: fibras do floema, fv: feixe
vascular, fx: fibra do xilema, ic: idioblasto cristalífero, pj: parênquima esponjoso,
pp: parênquima paliçádico, x: xilema. Escalas e correspondências: 50 µm (A, B, C
e D), 25 µm (E).





co
pp
pp
x
pj
fv
ff
f
A
tr
B
tr
ep
fv
co
f
x
co
ff
C
tr
ep
D
Figura 3: Crataegus spp. - Diagramas da distribuição dos tecidos na folha,
em secções transversais. A. região apical da nervura principal; B. região
mediana da nervura principal; C. região basal da nervura principal; D. região
mediana do pecíolo. co: colênquima, ep: epiderme, f: floema, ff: fibras do
floema, fv: feixe vascular, pj: parênquima esponjoso, pp: parênquima
paliçádico, tr: tricoma, x: xilema. Escalas e correspondências: 250 µm (A, B,
C e D).


































































at
sp
pt
sp
at
hi
sp
pd
sp
ne
hi
tr
ov
A
B
C
ep
en
ep
ep
ph
gp
fv
en
F
E
D
Figura 4: Crataegus spp. - A. aspecto geral do hipanto, pedúnculo floral, algumas
sépalas e anteras; B. aspecto geral de uma pétala, C. aspecto geral de uma flor em
secção longitudinal mediana. D. detalhe parcial da base da pétala em secção
transversal; E e F. detalhes parciais da antera e parede da teca, respectivamente,
em secções transversais. at: antera, ep: epiderme, en: endotécio, fv: feixe vascular,
gp: grão de pólen, hi: hipanto, ne: nectário, ov: óvulo, pd: pedúnculo floral, ph:
parênquima homogêneo, pt: pétala, sp: sépala, tr: tricoma. Escalas e
correspondências: 1 mm (A, B e C), 50 µm (D e E), 25 µm (F).



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