GENGIBRE

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre GENGIBRE


GENGIBRE
Zingiberis rhizoma



Zingiber officinale Roscoe – ZINGIBERACEAE
A droga vegetal é constituída pelos rizomas fresco, inteiros ou fragmentados, com a
cortiça completamente removida ou removida somente nas faces planas e largas,
contendo, no mínimo, 1,5% de óleo essencial. O óleo essencial é constituído de, no
mínimo, 17% de alfa-zingibereno.



CARACTERES ORGANOLÉPTICOS


A droga tem odor aromático e um sabor picante e ardente.



DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA


Rizoma ramificado, com formato irregular, achatado lateralmente, com ramificações
dispostas em um só plano, de coloração castanho-clara a pardacenta, marcado por anéis
transversais proeminentes e estrias longitudinais e transversais, estreitas e bem visíveis.
Comumente ocorrem cicatrizes elípticas acinzentadas quando jovens e castanho-claras a
esbranquiçadas quando mais velhas, rugosas e depressas, entre as ramificações, com
fibras aparentes. O rizoma comercial mede de 5,0 cm a 25,0 cm de comprimento, de 1,0
cm a 5,0 cm de espessura. A fratura é curta e amilácea, com fibras projetadas e o súber
tende a esfoliar-se.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA


Consulta Pública 38/2009
Em vista frontal, a periderme é constituída por duas formas celulares de disposição
aleatória, algumas de menor tamanho e quadrangulares e outras maiores e alongadas,
ambas com paredes delgadas. Em secção transversal, o rizoma apresenta forma ovalada e
três diferentes regiões são claramente visíveis, a periderme, o córtex e o cilindro central.
A periderme é formada por até vinte e cinco camadas ou mais, em duas zonas distintas. A
zona externa apresenta células suberificadas, de forma e disposição irregular e com
grande quantidade de gotas lipídicas; a zona interna é formada por um maior número de
camadas e por células de forma tabular, achatadas tangencialmente e dispostas
radialmente, com reduzidos espaços intercelulares. Os grãos de amido estão presentes em
todos os tecidos, exceto nos vasculares, são simples, com hilo excêntrico e estratificação
muito evidente, sendo variados na forma e desenvolvimento, geralmente elipsóides,
ovalados e aplanados, com até 50 ?m de comprimento e até 35 ?m de largura e até 10 ?m
de espessura. O parênquima cortical é formado por células poligonais e isodiamétricas
volumosas, com espaços intercelulares evidentes e grande quantidade de grãos de amido.
Fibras isoladas e esparsas, de paredes não muito espessas e sem lignificação, são
encontradas entre as células parenquimáticas. Células secretoras de forma poligonal são
muito comuns na região do córtex e as gotas lipídicas são grandes ou são diminutas
gotinhas isoladas ou agrupadas e de coloração amarelada. Os feixes vasculares são
colaterais, geralmente fechados, com distribuição aleatória nos parênquimas e pouco
desenvolvidos no parênquima cortical. O número de elementos floemáticos é reduzido,
não ocorre lignificação nos elementos vasculares e as fibras têm pontoações visíveis,
distribuição variada ou são ausentes. No cilindro vascular, geralmente o feixe é fechado.
O córtex, internamente, possui células repletas de grãos de amido e é delimitado pela
endoderme, composta por células quadrangulares, de paredes delgadas e com raros grãos
de amido. O cilindro vascular externamente é delimitado por um anel de células
parenquimáticas muito menores do que as demais onde distribuem-se pequenos
agrupamentos vasculares, que acompanham a disposição destas pequenas células.
Internamente, é preenchido por tecido parenquimático, formado por várias camadas,
semelhante àquele que caracteriza a região cortical. No cilindro vascular também
ocorrem células secretoras e feixes vasculares dispersos. Não ocorrem cristais de oxalato
cálcio e esclereídes. Em secção longitudinal, as três regiões apresentam as mesmas
características descritas para a secção transversal, sendo possível observar os
espessamentos parietais dos elementos traqueais. Ocorrem espessamentos dos tipos
anelar, helicoidal, escalariforme e reticulado, sendo freqüente o tipo escalariforme e raros
os tipos anelar e helicoidal. As fibras são bastante alongadas, septadas, com extremos
afilados ou arredondados e apresentam poros oblíquos e pontoações bem evidentes.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ


O pó atende a todas as exigências estabelecidas para a espécie, menos os caracteres
macroscópicos. A observação microscópica do pó torna-se mais clara, quando utilizado
hidrato de cloral R. São característicos: coloração amarelo-clara a castanho-clara;
fragmentos de periderme em vista frontal e em vista transversal; grande quantidade de
Consulta Pública 38/2009
grãos de amido isolados ou agrupados, mais evidentes quando utilizada água glicerinada;
grande quantidade de fragmentos de parênquima com paredes delgadas e incolores, ou
raramente amareladas; fragmentos de parênquima contendo grãos de amido; fragmentos
de parênquima contendo gotas de óleo amareladas; fragmentos de parênquima com
porções de elementos traqueais; porções de espessamentos parietais isolados de
elementos traqueais; porções de elementos traqueais isolados ou agrupados; porções de
fibras isoladas ou agrupadas; gotas de óleo isoladas e amareladas.



IDENTIFICAÇÃO


Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1),
utilizando sílica-gel GF254, com espessura de 0,25 mm, como fase estacionária, e tolueno
e metanol (95:5), como fase móvel. Aplicar, em forma de banda, 20 ?l da solução
recentemente preparada, descrita a seguir.


Solução (1): agitar cerca de 1 g da droga pulverizada com 5 ml de metanol, por 5
minutos e filtrar.


Desenvolver o cromatograma. Remover a placa e secar ao ar. Observar sob luz
ultravioleta (365 nm). O cromatograma, obtido com a solução (1), apresenta, duas
manchas azuis (Rf 0,15 e 0,25 aproximadamente) e duas manchas azul-esverdeada (Rf
0,50 e 0,60 aproximadamente). Em seguida, nebulizar a placa com solução de anisaldeído
sulfúrico e deixar em estufa entre 100 ºC e 105 ºC, durante 5 a 10 minutos. O
cromatograma apresenta uma mancha (Rf 0,05 aproximadamente) de coloração malva,
uma mancha (Rf 0,20 aproximadamente) de coloração marrom-violáceo, duas manchas
(0,25 e 0,30 aproximadamente) de coloração malva, uma mancha (Rf 0,40
aproximadamente) de coloração cinza, uma mancha (Rf 0,50 aproximadamente) de
coloração violácea, uma mancha (Rf 0,55 aproximadamente) de coloração malva e uma
mancha (Rf 0,95 aproximadamente) de coloração violácea.



ENSAIOS DE PUREZA


Material estranho (V.4.2.2). No máximo 2%.


Água
(V.4.2.3). No máximo 10%.


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Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 6%.



DOSEAMENTO


Óleos essenciais


Proceder conforme descrito em Determinação de óleos essenciais (V.4.2.6). Utilizar
balão de 1 000 ml contendo 500 ml de água como líquido de destilação. Adicionar 0,5 ml
de xileno pela abertura k. Utilizar planta seca reduzida a pó grosso. Proceder
imediatamente à determinação do óleo essencial, a partir de 20 g da droga pulverizada.
Destilar por 4 horas.

Análise cromatográfica:

Proceder conforme descrito em Cromatografia a gás (V.2.17.5.). Utilizar cromatógrafo
provido de detector de ionização de chamas, utilizando mistura de nitrogênio-ar sintético-
hidrogênio (1:1:10) como gases auxiliares à chama do detector; coluna capilar de 30 m de
comprimento e 0,25 mm de diâmetro interno, preenchida com polidifenildimetilsiloxano,
com espessura do filme de 0,25 ?m; temperatura da coluna de 60 °C a 300 °C, a 3 °C por
minuto (total: 80 minutos), temperatura do injetor a 220 °C e temperatura do detector a
250 °C; utilizar hélio a uma pressão de 80 kpa como gás de arraste; fluxo do gás de
arraste de 1 ml/minuto.


Solução amostra: diluir o óleo essencial em na razão de 2:100 em éter etílico.


Procedimento: injetar 1 ?l desta solução no cromatógrafo a gás, utilizando divisão de
fluxo de 1:50. Os índices de retenção linear dos constituintes do óleo são calculados em
relação a uma série homóloga de hidrocarbonetos e comparados com amostras referência.
A concentração relativa é obtida por normalização (integração manual ou eletrônica).


Calcular o Índice de Retenção, segundo a expressão:

100× (tr ? tr )
IK = 100
x
z
× n +

(tr
?tr )
z 1
+
z

em que:
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n = número de átomos de carbono do alcano de com tempo de retenção imediatamente
anterior ao constituinte “x” a ser caracterizado.
trx = tempo de retenção do constituinte “x” (intermediário a trz e trz+1);
trz = tempo de retenção do alcano imediatamente anterior ao constituinte “x;
trz+1 = tempo de retenção do alcano com “n +1” carbonos ( imediatamente posterior ao
constituinte “x”).




Cromatograma ilustrativo obtido com o óleo essencial de Zingiber officinale



4
5

2
3


1
6

7






As porcentagens dos principais compostos estão dentro dos seguintes intervalos:


1. Canfeno (4,0 – 5,0%)
2. Beta-felandreno (9,0 – 11,0%)
3. Neral (0,3 – 15,0%)
4. Geranial (0,3 – 27,0%)
5. Alfa-zingibereno (18 -40%)
6. E,E-alfa-farneseno (7,0 – 12,0%)
7. Beta-sesquifelandreno (5,0 – 14,0%)



EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO


Em recipientes bem-fechados, ao abrigo da luz, calor e umidade.

XII.2. REAGENTES E SOLUÇÕES REAGENTES

Solução de vanilina sulfúrica SR
Preparação - Dissolver 1 g de vanilina em 100 ml de metanol. Adicionar 4 ml de ácido
clorídrico e 5 ml de ácido sulfúrico.

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LEGENDAS:


Figura 1. Zingiber officinale Roscoe - A. aspecto geral do rizoma, al: anel; etr: estria; ral:
ramificação lateral; B. periderme em vista frontal com células quadrangulares; C.
periderme em vista frontal com células alongadas; D. aspecto geral do rizoma em secção
transversal; av: agrupamento vascular; cv: cilindro vascular; cx: córtex; end: endoderme;
fv: feixe vascular; pe: periderme; ral: ramificação lateral; E. detalhe do rizoma em secção
transversal como assinalado em D; av: agrupamento vascular; cse: célula secretora; cv:
cilindro vascular; cx: córtex; end: endoderme; f: floema; fb: fibra; fv: feixe vascular; ga:
grão de amido; gl: gota lipídica; gtl: gotícula lipídica; p: parênquima; pc: parênquima
cortical; pe: periderme; pq: parênquima de pequenas células; s: súber; x: xilema. As
escalas correspondem: em A a 2,8 cm; em B e C a 100 ?m; em D a 5 cm; em E a 200
?m.


Figura 2. Zingiber officinale Roscoe - A. detalhe da periderme em secção transversal; ga:
grão de amido; gl: gota lipídica; gtl: gotículas lipídicas; s: súber; B. detalhe do
parênquima cortical com grãos de amido, em secção transversal; fb: fibra; ga: grão de
amido; C. detalhe do parênquima cortical com gotas lipídicas, em secção transversal; ga:
grão de amido; gl: gota lipídica; gtl: gotículas lipídicas; D. detalhe de feixe vascular
ocorrente no córtex, em secção transversal; f: floema; fb: fibra; p: parênquima; pc:
parênquima cortical; x: xilema; E. detalhe da região da endoderme e da região dos
agrupamentos vasculares, em secção transversal; av: agrupamento vascular; end:
endoderme; ety: estria de Caspary; ga: grão de amido; gl: gota lipídica; p: parênquima;
pc: parênquima cortical; pq: parênquima de pequenas células; F: detalhe de porção do
córtex, em secção longitudinal; ee: elemento de vaso com espessamento escalariforme;
eh: elemento de vaso com espessamento helicoidal; fb: fibra; ga: grão de amido; gl: gota
lipídica; p: parênquima; pc: parênquima cortical; G. detalhe de feixe vascular ocorrente
no cilindro vascular, em secção transversal; f: floema; fb: fibra; p: parênquima; x: xilema.
As escalas correspondem: em A a G a 100 ?m.


Figura 3. Zingiber officinale Roscoe - detalhes do pó. A. porção de periderme em vista
frontal; B. porção de parênquima com gota lipídica, em secção transversal; gl: gota
lipídica; C. porção de parênquima com gotículas lipídicas, em secção transversal; gtl:
gotículas lipídicas; D. porção de parênquima, em secção transversal; E. porção de
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parênquima com grãos de amido, em secção transversal; ga. grão de amido; F. grãos de
amido agrupados; G. grãos de amido isolados; H. porções de fibras isoladas, em secção
longitudinal; I. porção de agrupamento de fibras, em secção longitudinal; J. porção de
xilema, em secção longitudinal; ee: porção de elemento de vaso com espessamento
escalariforme; eh: porção de elemento de vaso com espessamento helicoidal; eo: porção
de elemento de vaso com espessamento anelado; fb. porção de fibra; K. porção de
xilema, em secção longitudinal; ee: porção de elemento de vaso com espessamento
escalariforme; ere: porção de elemento de vaso com espessamento reticulado; fb: porção
de fibra; p. porção de parênquima; L. fragmentos isolados de espessamentos parietais; M.
porção de elemento traqueal com espessamento anelado, em secção longitudinal; N.
porção de elemento traqueal com espessamento reticulado, em secção longitudinal; O.
porção de elemento traqueal com espessamento escalariforme, em secção longitudinal; P.
porção de parênquima e elementos vasculares, em secção longitudinal; p. parênquima; ee:
elemento de vaso com espessamento escalariforme. As escalas correspondem: em A a P a
100 ?m.

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Figura 1. Zingiber officinale Roscoe.






Figura 2. Zingiber officinale Roscoe.









Figura 3. Zingiber officinale Roscoe.
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