HORTELÃ-PIMENTA, FOLHAS

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre HORTELÃ-PIMENTA, FOLHAS


HORTELÃ-PIMENTA, FOLHAS
Menthae piperitae folium



Mentha x piperita L. – LAMIACEAE
A droga vegetal é constituída de folhas secas, inteiras, quebradas, cortadas ou pulverizadas da
espécie e de suas variedades, contendo, no mínimo, 1,2% de óleo essencial em folhas inteiras e, no
mínimo, 0,9% de óleo essencial em folhas rasuradas.



CARACTERES ORGANOLÉPTICOS


A droga tem odor forte, aromático, penetrante, semelhante ao mentol; sabor aromático picante,
com sensação de frescor agradável.



DESCRIÇÃ0 MACROSCÓPICA


Folhas inteiras, membranosas, rugosas, quebradiças, oposto-cruzadas, pecioladas, verdes a verde-
amarronzadas quando secas, com numerosos tricomas glandulares na face abaxial da lâmina,
visíveis com lente de 6x ou contra a luz, como pontos claros, amarelos, brilhantes e tricomas
tectores distribuídos sobre as nervuras; venação camptódroma-broquidódroma, nervura principal
espessa e pronunciada em ambas as faces, nervuras secundárias em ângulo aproximado de 45°,
depressas na face adaxial e salientes na face abaxial. Lâmina ovalada a ovalado-lanceolada, ápice
agudo, base irregularmente arredondada e assimétrica, margem irregularmente serreada, com dentes
agudos, medindo de 3,0 cm a 9,0 cm de comprimento e 1,0 cm a 5,0 cm de largura. Pecíolo de 0,5
cm a 1,0 cm de comprimento, verde, quando seco vinoso-acastanhado, côncavo na face adaxial,
convexo na face abaxial e com costelas laterais, com tricomas iguais aos da lâmina.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA


Lâmina foliar de simetria dorsiventral, hipo-anfiestomática, com estômatos diacíticos. Em vista
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frontal, a cutícula é lisa e as células da epiderme têm paredes anticlinais de contorno ondulado na
região entre as nervuras e paredes retilíneas sobre as nervuras. Ocorrem cinco tipos de tricomas em
ambas as faces: (1) tricoma tector pluricelular, longo, delgado, agudo, unisseriado, com duas a
quatorze células, a célula basal de maior comprimento e a apical de ápice obtuso; alguns destes
tricomas quando com maior número de células apresentam coroa de células basais; cutícula espessa
e marcadamente estriada; (2) tricoma tector pluricelular, com duas a seis células, bisseriado na base,
com cutícula espessa e estriada; (3) tricoma glandular com pedicelo unicelular, curto e cabeça
unicelular, arredondada, com cutícula delgada; (4) tricoma glandular com pedicelo unicelular,
bicelular ou tricelular, curto e cabeça unicelular elíptica, com cutícula delgada; (5) tricoma
glandular peltado, de pedicelo curto, formado por uma ou duas células na porção basal e cabeça
pluricelular com oito células de disposição radial, geralmente com cutícula dilatada e de coloração
parda. Em secção transversal, a cutícula é delgada e a epiderme é uniestratificada, com células

achatadas tangencialmente, ricas em gotas de óleo os estômatos são projetados; tricomas tectores do
tipo 1 ocorrem em maior número na face abaxial e sobre a região da nervura principal e os do tipo 2
são raros; tricomas glandulares, dos tipos 3 e 4, estão distribuídos por toda a lâmina; tricomas
glandulares peltados, do tipo 5, são depressos na epiderme e mais freqüentes na face abaxial da
região intercostal; parênquima paliçádico uniestratificado, com células compactas e curtas;
parênquima esponjoso triestratificado ou mais, preenchendo em torno de 60% da secção; gotas de
óleo abundantes; cristais de oxalato de cálcio ausentes. A nervura principal, em secção transversal,
apresenta cutícula espessa na face abaxial, as células epidérmicas são poligonais, ovaladas,
pequenas e com parede periclinal externa espessa, o colênquima é angular, uniestratificado ou com
mais camadas junto à face adaxial, seguido nesta face por um clorênquima com até cinco camadas
de células poligonais e pelo parênquima. Este último, junto a face abaxial, é formado por até 10
camadas de células isodiamétricas com grandes espaços intercelulares. O sistema vascular é
formado por um ou mais feixes colaterais abertos ou não, apresentando floema bem desenvolvido
com calota de fibras voltada para a face abaxial, ou com algumas fibras isoladas localizadas
externamente. O pecíolo, em secção transversal, apresenta cutícula espessa e lisa, epiderme
uniestratificada, de células poliédricas, estômatos projetados, com maior freqüencia de tricomas do
tipo 1, o córtex apresenta colênquima angular com até oito camadas apenas nas costelas e
uniestratificado na face abaxial; clorênquima mais compactado na região das costelas, parênquima
cortical formado por células ovaladas, de grande volume, com maiores espaços intercelulares junto
à face abaxial, endoderme rica em grãos de amido; sistema vascular com três ou mais feixes
colaterais, o central amplamente aberto, com floema expressivo, com ou sem fibras. Gotas de óleo
ocorrem no clorênquima, no parênquima cortical e na endoderme.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ





O pó atende a todas as exigências estabelecidas para a espécie, menos os caracteres
macroscópicos. Examinar ao microscópio, utilizando solução de hidrato de cloral R. São
características: folhas quebradas ou cortadas, freqüentemente amassadas, de cor verde-acastanhada;
fragmentos do limbo com células epidérmicas de paredes sinuosas e estômatos diacíticos
numerosos, principalmente na face abaxial; tricomas como os descritos, principalmente os do tipo
1; fragmentos do mesofilo heterogêneo assimétrico, como descrito; fibras; elementos traqueais de
espessamento helicoidal; cristais amarelos de mentol sob a cutícula dos tricomas peltados podem
ser observados; cristais de oxalato de cálcio ausentes.



DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA DAS IMPUREZAS



Consulta Pública 38/2009
Os caules, ramos, flores, frutos e sementes da própria espécie, se presentes como impureza,
caracterizam-se por apresentar: caule quadrandular com costelas bem definidas até o quarto nó,
ramificado, na maioria das variedades vinoso quando adulto, verde-claro quando jovem e
esbranquiçado nos nós basais; tricomas não visíveis a olho nu; flores reunidas em inflorescências
espigadas; cálice glabro, com cinco dentes; corola rosado-violácea ou branca, com quatro lobos, o
superior alargado; estames quatro, didínamos, inclusos na corola, ovário súpero, tetralobado, estilete
ginobásico; sementes raras e estéreis.





DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DA IMPUREZA CORRESPONDENTE AO CAULE


Os caules da própria espécie, se presentes como impureza, apresentam, em estrutura secundária e
em secção transversal, cutícula espessa e estriada, epiderme uniestratificada, de células poligonais,
com ou sem idioblastos de areia cristalina e com ou sem células contendo antocianinas; tricomas e
estômatos raros; colênquima angular, formado por uma a muitas camadas na região das costelas;
clorênquima com até dez camadas, com esclereídes isolados e com idioblastos de areia cristalina;
endoderme com estrias de Caspary evidentes e sem grãos de amido; floema com ou sem fibras
isoladas ou em pequenos grupos; zona cambial evidente de até quatro camadas; xilema totalmente
esclerificado ou não; gotas de óleo em todos os tecidos, exceto no câmbio e no xilema; parênquima
medular desenvolvido. Quando em estrutura primária, células da epiderme repletas de antocianinas;
tricomas iguais aos descritos para a folha; colênquima formado por uma camada nas regiões
intercostais e até nove camadas nas costelas; clorênquima rico em cloroplastídios e grãos de amido;
endoderme evidente e rica em grãos de amido; sistema vascular com feixes colaterais mais
desenvolvidos nas costelas; câmbio fascicular e interfascicular evidente; parênquima medular com
células isodiamétricas de grande volume.

Adulteração: Mentha crispa L. apresenta tricomas glandulares com cabeça de doze células e
tricomas tectores de paredes finas e de uma a seis células.



IDENTIFICAÇÃO


Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1), utilizando sílica-gel
GF254, com espessura de 0,25 mm, como suporte, e tolueno e acetato de etila (95:5) como fase móvel.
Aplicar, separadamente, em forma de banda, 20 ?l da solução (1) e 10 ?l da solução (2), preparadas
recentemente, como descrito a seguir.


Solução (1): agitar 0,2 g da droga recentemente pulverizada com 2 ml de diclorometano. Filtrar.
Evaporar à secura (40 ºC) e dissolver o resíduo em 0,1 ml de tolueno.


Solução (2): diluir 50 mg de mentol, 20 ?l de cineol, 10 mg de timol e 10 ?l de acetato de mentila
em tolueno e completar a 10 ml com o mesmo solvente.



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Desenvolver o cromatograma. Remover a placa, deixar secar ao ar. Observar sob luz ultravioleta
(254 nm). O cromatograma, obtido com a solução (1), apresenta, na parte superior da cromatoplaca,
quatro manchas principais, que correspondem em posição, cor e atenuação de fluorescência àquelas
obtidas com a solução (2). Em seguida, nebulizar a placa com solução de anisaldeído sulfúrico e
deixar em estufa entre 100 ºC e 105 ºC, durante 5 a 10 minutos. A mancha correspondente ao acetato
de mentila (Rf 0,81 aproximadamente) apresenta coloração azul-violeta, a mancha correspondente ao
timol (Rf 0,65 aproximadamente) apresenta coloração rósea, a mancha correspondente ao cineol (Rf
0,60 aproximadamente) apresenta coloração de azul a violeta-castanho e a mancha correspondente ao
mentol (Rf 0,55 aproximadamente) apresenta coloração de azul a violeta.





ENSAIOS DE PUREZA


Material estranho (V.4.2.2). No máximo 10 % de caules quadrangulares, glabros ou com
tricomas tectores; escassos fragmentos de caules reconhecidos pelas fibras, além de numerosos
elementos de vaso, fragmentos de flores como os descritos.


Água (V.4.2.3). No máximo 12%.


Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 15%.



DOSEAMENTO


Óleo essencial


Proceder conforme descrito em Determinação de óleos essenciais (V.4.2.6). Utilizar balão de 500
ml contendo 200 ml de água como líquido de destilação. Adicionar 0,5 ml de xilol pela abertura k.
Utilizar planta seca rasurada não contundida. Proceder imediatamente à determinação do óleo
essencial, a partir de 20 g da droga. Destilar por 4 horas.



EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO


Em recipientes de vidro bem-fechados, ao abrigo da luz e calor.


XII.2. REAGENTES E SOLUÇÕES REAGENTES

Solução de anisaldeído sulfúrico
Preparação - Dissolver 0,5 g de anisaldeído em 100 ml de metanol. Adicionar 4 ml de ácido
clorídrico e 5 ml de ácido sulfúrico.


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LEGENDAS:


Figura 1: Mentha piperita L. – A. aspecto geral de um ramo; c: caule; lf: lâmina foliar; B. vista
da face adaxial de uma folha; lf: lâmina foliar; pl: pecíolo; C. vista da face abaxial de uma folha; lf:
lâmina foliar; pl: pecíolo; D. detalhe de uma porção da face adaxial da epiderme da lâmina foliar, na
região intercostal, em vista frontal; es: estômato; tgu: tricoma glandular com cabeça unicelular; E.
detalhe de uma porção da face abaxial da epiderme da lâmina foliar, na região intercostal, em vista
frontal; es: estômato; tgo: tricoma glandular com cabeça octacelular; tgu: tricoma glandular com
cabeça unicelular; F. detalhe de uma porção da face adaxial da epiderme da lâmina foliar, sobre a
nervura principal, em vista frontal; ct: cicatriz do tricoma tector; tgu: tricoma glandular com cabeça
unicelular; G. detalhe de uma porção da face abaxial da epiderme da lâmina foliar, sobre a nervura
principal, em vista frontal; ct: cicatriz do tricoma tector; tgu: tricoma glandular com cabeça
unicelular; tgo: tricoma glandular com cabeça octacelular; tt: tricoma tector; H. tricomas; H.a.
detalhe de um tricoma tector pluricelular unisseriado, com coroa de células basais, em vista lateral;
H.b. detalhe de um tricoma tector pluricelular unisseriado, com a base bisseriada, em vista lateral;
H.c. detalhe de um tricoma tector tetracelular unisseriado, em vista lateral; H.d. detalhe de um
tricoma tector bicelular unisseriado, em vista lateral; H.e. detalhe de tricoma glandular de cabeça
arredondada e pedicelo unicelular, em vista lateral; H.f. detalhe de tricomas glandulares de cabeça
unicelular elíptica, pedicelo unicelular ou bicelular e unisseriado, em vista lateral; H.g. detalhe de
tricoma glandular, com cabeça secretora octacelular, em vista lateral. H.h. detalhe de tricoma
glandular de cabeça unicelular, pedicelo tricelular e unisseriado, em vista lateral. As escalas
correspondem em A a 2,5 cm, em B e C a 1 cm e em D - H a 100 ?m.


Figura 2: Mentha piperita L. – A. representação esquemática do aspecto geral da região da
nervura principal e de porção da região intercostal, em secção transversal; ab: face abaxial; ad: face
adaxial; co: colênquima; end: endoderme; ep: epiderme; f: floema; pj: parênquima esponjoso; p:
parênquima; pp: parênquima paliçádico; px: parênquima do xilema; tt: tricoma tector; x: xilema; B.
detalhe da região da nervura principal e de porção da região intercostal, em secção transversal; ab:
face abaxial; ad: face adaxial; co: colênquima; cu: cutícula; end: endoderme; ep: epiderme; es:
estômato; f: floema; p: parênquima; pj: parênquima esponjoso; pp: parênquima paliçádico; px:
parênquima do xilema; tgu: tricomas glandulares com cabeça unicelular; tt: base de um tricoma
tector; x: xilema; C. detalhe da lâmina foliar na região intercostal, em secção transversal; ab: face
abaxial; ad: face adaxial; cu: cutícula; ep: epiderme; es: estômato; pj: parênquima esponjoso; pp:
parênquima paliçádico; tgo: tricoma glandular com cabeça octacelular; tgu: tricoma glandular com
cabeça unicelular; D. representação esquemática do aspecto geral do pecíolo, em secção transversal;
ab: face abaxial; ad: face adaxial; cl: clorênquima; co: colênquima; end: endoderme; ep: epiderme;
f: floema; fv: feixe vascular; pc: parênquima cortical; x: xilema; E. detalhe de porção do pecíolo,
em secção transversal; ab: face abaxial; ad: face adaxial; cl: clorênquima; co: colênquima; cu:
Consulta Pública 38/2009
cutícula; end: endoderme; ep: epiderme; f: floema; p: parênquima cortical ; px: parênquima do
xilema; tgu: tricoma glandular com cabeça unicelular; x: xilema. As escalas correspondem em A a
400 ?m, em D a 1000 ?m e em B, C e E a 100 ?m.
















Figura 1: Mentha piperita L.














Figura 2: Mentha piperita L.



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