MARAPUAMA

Para que serve folheto informativo, informação para o utilizador

Planta Medicinal




MARAPUAMA
Muirapuamae caulis

Ptychopetalum olacoides Benth. - OLACACEAE
A droga vegetal é constituída por porções do caule e ramos, incluindo o córtex e
o cilindro central, contendo no mínimo, o equivalente a 0,3% de metilxantinas,
expressos em cafeína (C8H10N4 O2; M 194,2) em relação à massa seca, e teor de óleo
essencial de, no mínimo 0,3% (p/V).

NOMES POPULARES

Muirapuama

CARACTERES ORGANOLÉPTICOS

A droga é inodora, de sabor amargo e adstringente

DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA

O caule é cilíndrico, com ritidoma finamente estriado longitudinalmente, mas
contando com algumas estrias mais acentuadas transversalmente. Externamente
apresenta-se de coloração predominantemente acinzentada, mas com máculas de
dimensões variadas de coloração marrom, sem descamações nos exemplares de até 1,5
cm de diâmetro. A casca desidratada é delgada, desprendendo-se com dificuldade sob
ação mecânica. O cilindro central apresenta coloração ocre, com anéis de crescimento
castanho-claros.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA

Em secção transversal, o caule e suas ramificações, com crescimento secundário
estabelecido, apresentam córtex externo formado pelo súber pouco espessado, composto
por células tabulares enfileiradas, de paredes delgadas, com conteúdo marrom-
alaranjado, intenso. Em secção tangencial, estas células mostram-se poligonais,
justapostas, friáveis, e na presença do cloreto férrico 10%, permanecem sem alterações
na coloração original. Lenticelas são comuns. No floema não funcional ocorrem células
pétreas e macroesclereídes, isolados ou em grupos, com paredes muito espessadas (na
maioria dos elementos), com lamelações e pontoações simples em abundância. Mais
internamente no floema, novamente ocorrem grupos de 5-8 fibras com lamelações
expressivas e lume muito reduzido, além de esclereídes isolados ou em pequenos
Consulta Pública 38/2009
agrupamentos. Justapostos a estes elementos estão idioblastos com um único e grande
cristal de oxalato de cálcio, prismático de 8-10 faces. Tanto as esclereídes quanto as
fibras reagem positivamente ao cloreto de zinco iodado, tornando-se amarelas,
evidenciando a presença de lignina. Por sua vez, os raios floemáticos reagem
positivamente à presença do cloreto férrico 10%. Por todo o floema podem ser
visualizadas pequenas, mas abundantes, gotículas de óleo. O xilema, em secção
transversal, mostra-se com arranjo apotraqueal difuso, rico em fibras altamente
espessadas em lignina, com lamelações e pontoações simples evidentes. Os raios
xilemáticos são unisseriados, homogêneos quanto ao formato celular, compostos por
células de paredes espessadas e com pontoações simples; apresentam conteúdo
granuloso, marrom-alaranjado, reagindo positivamente ao cloreto férrico 10%. Os
elementos de vaso podem estar isolados ou em duplas, raramente com arranjos de 3-4
elementos, calibrosos, ricos em pontoações areoladas. Anéis de crescimento podem ser
facilmente evidenciados no lenho.

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ


O pó atende a todas as características estabelecidas para a espécie, menos os
caracteres macroscópicos. São características: odor característico; células pétreas e
macroesclereídes, íntegros ou fragmentados, sempre com abundância de pontoações
simples em suas paredes espessadas; fragmentos de fibras com idioblastos cristalíferos
(fibras do floema), ou associados com fragmentos de células dos raios parenquimáticos,
com paredes espessadas (fibras do xilema) e fragmentos de elementos de vaso com
pontoações areoladas.

IDENTIFICAÇÃO

A. Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada
(V.2.17.1), utilizando cromatoplaca de sílica-gel F254, com espessura de 0,25 mm, como
suporte, e mistura de clorofórmio, etanol e ácido fórmico (90:8:2; V/V), como fase
móvel. Aplicar, a placa, em forma de banda, 20 μl da solução (1), preparada antes do
uso, como descrito a seguir.

Solução (1): Pesar exatamente cerca de 5 g da droga moída em erlenmeyer de
boca esmerilhada com tampa, acrescentar 3 ml de solução de hidróxido de amônia 25%
(V/V) e 40 ml de diclorometano, extrair com agitação mecânica, durante 15 minutos.
Filtrar a solução obtida em algodão, sob pressão reduzida. Levar 5 ml do extrato obtido
a resíduo seco (RES). Retomar o RES com 1 ml de metanol.

Desenvolver o cromatograma em percurso de 4 cm. Remover a placa e deixar
secar em capela de exaustão. Examinar sob luz ultravioleta (254 nm). O cromatograma
obtido com a solução (1) apresenta seis bandas, sendo a superior de coloração castanho-
esverdeada com Rf aproximado de 0,94, abaixo uma banda de coloração amarelo-
alaranjada e Rf de 0,85, em seguida duas bandas de coloração castanho com Rf
aproximado de 0,66 e 0,60, uma banda de coloração violácea, apresenta Rf 0,45, e a
banda inferior de coloração amarelo-alaranjada com Rf de 0,20. Em seguida, levar à
placa cromatográfica a presença de iodo. Após a visualização deverão ser observadas na
solução (1) as seis bandas características.

B. Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada
Consulta Pública 38/2009
(V.2.17.1), utilizando cromatoplaca de sílica-gel F254, com espessura de 0,25 mm, como
suporte, e mistura de tolueno, acetado de etila e metanol (7:2:1; V/V), como fase móvel.
Aplicar em forma de banda, 40 μl da solução (1), preparada antes do uso, como descrito
a seguir.

Solução (1): Pesar exatamente cerca de 1 g da droga moída colocar em tubo de
ensaio com 10 ml de uma mistura de tolueno, acetato de etila e metanol (7:2:1; V/V),
levar a banho de ultra-som por 15minutos. Centrifugar a solução obtida a 2000 rpm por
10 minutos. Aplicar o sobrenadante na placa cromatográfica.
Desenvolver o cromatograma em percurso de 6 cm. Remover a placa e deixar
secar em capela de exaustão. Visualizar sob luz UV longo e observar bandas
fluorescentes características, no quadrante superior uma banda verde, seguida por uma
banda violácea, no quadrante intermediário uma banda de coloração rosa-alaranjada, e
no quadrante inferior duas bandas violetas. Em seguida, nebulizar a placa com
anisaldeído SR e deixar em estufa a 110 ºC, por 10 minutos. Após a visualização
deverão ser observadas na solução (1), uma zona violácea no quadrante superior, na
zona intermediária uma banda de coloração rosa alaranjada, e no quadrante inferior pelo
menos três bandas violetas.

ENSAIOS DE PUREZA

Material estranho (V.4.2.2). No máximo 2%.

Determinação de água (V.4.2.3). No máximo 10%.

Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 2%.

Cinzas sulfatadas (V.2.10). No máximo 3%.

DOSEAMENTO

Metilxantinas

Solução amostra: pesar, exatamente, cerca de 0,25 g da droga pulverizada (210)
e transferir para erlenmeyer de 200 ml e extrair com 20 ml de ácido sulfúrico a 2,5%
(V/V), com agitação mecânica, durante 15 minutos. Filtrar em algodão para balão
volumétrico de 100 ml. Retornar o resíduo insolúvel e o algodão para o mesmo
erlenmeyer. Realizar o procedimento por quatro vezes. Completar o volume com o
mesmo solvente.

Solução branco: ácido sulfúrico a 2,5% (V/V)

Solução referência: pesar 1 mg de cafeína e dissolver, em balão volumétrico de
100 ml, com ácido sulfúrico a 2,5% (V/V)

Medir a absorvância da solução amostra e referência no comprimento de onda de
271 nm. Calcular a porcentagem do teor de metilxantinas em cafeína pela expressão:

.
AA CP
MX =

.
AP .
m 100
Consulta Pública 38/2009


Em que:
AA = absorvância da solução amostra;
AP = absorvância da solução referência;
CP = concentração da solução de referência em µg/ml;
m = massa da droga vegetal em gramas, considerando a determinação de água.




Óleo essencial

Proceder conforme descrito em Determinação de óleos essenciais (V.4.2.6) da
Farmacopéia Brasileira. Utilizar balão de 1000 ml contendo 500 ml de água destilada
como líquido de destilação e 0,5 ml de xilol. Reduzir a amostra a pó grosseiro e,
imediatamente após a moagem, proceder à determinação de óleo essencial, a partir de
50 g da droga. Destilar por 4 horas.


EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO

Em recipientes bem-fechados, ao abrigo da luz e do calor.
Consulta Pública 38/2009






ca
ev
cc
B
A
su
su
cp
fn
D
f
rp
lu
E
x
po
C cp
F
Figura 1: Ptychopetalum olacoides Benth. - A. aspecto externo de uma amostra caulinar, B.
aspecto geral da distribuição dos tecidos caulinares, em secção transversal; C. detalhe parcial
dos tecidos caulinares em secção longitudinal radial; D. detalhes parcial do súber e células
pétreas adjacentes, em secção transversal; E. detalhes parcial do súber em secção
longitudinal radial; F. detalhe parcial das células pétreas e macroesclerídes do córtex, em
secção longitudinal radial. ca: casca, cc: cilindro central, cp: célula pétrea, ev: elemento de
vaso, f: floema, fn: floema não funcional, lu: lúmen celular, po: pontoação, rp: raio
parenquimático, su: súber, x: xilema. Escalas e correspondências: 1 cm (A), 200 µm (B), 50
µm (C e E), 100 µm (D), 25 µm (F).






ff
lu
cp
ic
po
B
rp
A
rp
fx
lu
fx
ev
D
po
C
E
Figura 2: Ptychopetalum olacoides Benth. - A e B. detalhes parciais dos
elementos do floema, em secção transversal e longitudinal tangencial,
respectivamente; C e D. detalhes parciais dos elementos do xilema, em secção
transversal e longitudinal tangencial, respectivamente; E. detalhes das células de
um raio parenquimático do xilema, em secção longitudinal radial. ic: idioblasto
cristalífero, cp: célula pétrea, ev: elemento de vaso, ff: fibra do floema, fx: fibra do
xilema, lu: lúmen celular, po: pontoação, rp: raio parenquimático. Escalas e
correspondências: 50 µm (A e D), 25 µm (B, C e E).