RAUVLFIA

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre RAUVLFIA


RAUVOLFIA
Rauvolfiae radix

Rauvolfia
serpentina
(L.) Benth. ex Kurz - APOCYNACEAE

Parte
usada:
raiz.

A Rauvolfia deve conter no mínimo 0,15% de alcalóides do grupo reserpina-rescinamina, em
relação ao material dessecado.
É quase inodora e possui sabor muito amargo.

DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA


Arbustos eretos de até 1 m, geralmente não ramificados, glabros, com látex nas partes
aéreas. De 3-5 folhas verticiladas, condensadas no ápice do tronco; pecíolo de até 1,5 cm de
comprimento com coléteres na axila; lâmina simples, membranácea, elíptica a oboval, ápice
agudo ou acuminado (raramente obtuso), base cuneada, margem inteira; nervuras secundárias
em até 15 pares. Flores em inflorescências axilares ou terminais com pedúnculo avermelhado
de até 13 cm. Inflorescências cimosas, corimbosas, congestas, multifloras; brácteas presentes,
diminutas, triangulares, avermelhadas. Pedicelo avermelhado de até 5 mm de comprimento.
Cálice com 5 lobos lanceolados ou ovais, do comprimento do tubo, agudos, avermelhados,
coléteres ausentes. Corola simpétala, hipocrateriforme, rosa ou branca, tubo cilíndrico de até
12 mm de comprimento, inflado no meio, região superior do tubo fechada por tricomas; lobos
5, contortos sinistrorsamente no botão, patentes na antese, obliquamente suborbiculares.
Estames 5, inseridos na parte inflada do tubo floral, filetes mais curtos do que as anteras.
Disco nectarífero conspícuo, cupuliforme (em forma de taça). Ovário súpero, bicarpelar,
carpelos unidos até a metade, placentação axilar, estilete filiforme, cabeça do estilete
cilíndrica, base com margem hialina. Fruto drupa bilobada com cálice persistente, vermelha
quando imatura, preta e brilhante quando madura, cerca de 8 mm de diâmetro; cada lóculo
com uma semente. 2n = 22.

Os pedaços das raízes são cilíndricos e podem mostrar-se adelgaçados numa
extremidade, tortuosos, de 1 a 10 cm de comprimento e de 3 a 22 mm de diâmetro; sua
superfície externa mostra-se longitudinalmente enrugada e até sulcada irregularmente, de cor
clara cinzento-castanha; em alguns lugares, vêem-se cicatrizes redondas das raízes laterais de
0,5 a 1 mm de diâmetro ou restos das mesmas; a casca pode faltar parcialmente e observam-
se nestas falhas as camadas internas, de cor castanho-amarelada. A seção transversal
apresenta uma casca de cor castanho-amarelada e um lenho amarelo-claro com 3 a 8 anéis
concêntricos, exibindo uma fina estriação radial; o lenho ocupa cerca de quatro quintos do
diâmetro da raiz. Raramente podem ainda estar aderentes restos do rizoma, caracterizados por
apresentar medula.

Falsificações e confusões são possíveis, primeiramente com raízes de outras espécies de
Rauvolfia originadas da Índia, como, por exemplo, Rauvolfia heterophylla Wild. ex Roem. &
Schult. Ao contrário dessas outras espécies, no entanto, na raiz de Rauvolfia serpentina
faltam fibras e células pétreas na parte externa ao câmbio. Útil para a diferenciação é a
distribuição de amido no corte transversal das raízes: ao contrário de outras espécies, a raiz de
R. serpentina mostra uma distribuição quase homogênea de amido por todo o corte
transversal (menos no súber e no xilema primário). Falsificações de drogas da R. serpentina
ainda são feitas com raízes de Withania somnifera (L.) Dunal (Solanaceae), uma outra planta
medicinal originada da Índia. Caracteres úteis para identificar essa falsificação incluem: o
lenho da Rauvolfia é amarelo-claro e mostra estrias finas radiais (microscopicamente
verifica-se a presença de raios medulares e vasos em filas radiais), mas é branco e forma um
anel fechado em Withania (microscopicamente mostrando vasos dispersos num tecido
parenquimático).

DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA


A periderme ocupa cerca de um décimo do diâmetro da raiz, com até 20 camadas de
células com arranjo radial. O súber é homogêneo e constituído por cerca de 15 camadas de
células suberosas de paredes delgadas. A feloderme possui até quatro camadas de células com
paredes delgadas, compostas por celulose, hemicelulose e compostos pécticos. Lenticelas são
frequentemente observadas. O parênquima cortical é amilífero, com 15 camadas de células de
paredes não lignificadas; os grãos de amido, evidenciados pelo reagente de Lugol, podem ser
pequenos e numerosos ou volumosos, de formato arredondado ou ovóide. Laticíferos
ramificados, de crescimento intrusivo, permeiam o parênquima cortical. O floema é
constituído apenas por elementos de tubo crivado e células parenquimáticas; fibras e
esclerócitos estão ausentes. Os raios parenquimáticos são multisseriados, podendo ser
estreitos ou largos; suas células apresentam grãos de amido e/ou cristais de formatos
variados. O xilema secundário também possui arranjo radial. Os elementos traqueais e as
fibras estão dispostos em séries radiais uni ou bisseriadas e alternam-se aos raios
parenquimáticos multisseriados. Os elementos traqueais são estreitos (cerca de 40µm de
diâmetro), com placa de perfuração simples ou escalariforme; as fibras são libriformes e têm
paredes lignificadas espessadas. Os raios parenquimáticos são multisseriados, suas células
possuem paredes lignificadas e os grãos de amido são mais volumosos do que aqueles
encontrados no floema e no parênquima cortical. O xilema primário, com seis a oito polos de
protoxilema, ocupa posição medular; os elementos traqueais também são estreitos e de
calibre semelhante ao das células parenquimáticas adjacentes.


DESCRIÇÃO DO PÓ


O pó apresenta coloração acinzentada clara ou castanho-amarelada clara. Ao
microscópio observam-se fragmentos amarelados do súber com paredes delgadas
suberificadas, fragmentos de vasos de paredes espessas com pontuações areoladas,
fragmentos de células parenquimáticas do xilema com paredes espessas e pontuações
simples, fragmentos de células parenquimáticas do córtex com paredes delgadas, numerosos
grãos de amido arredondados, às vezes agregados, com a região central na forma de y ou de
estrela.


IDENTIFICAÇÃO

Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1.), utilizando
cromatoplaca de sílica-gel GF254, como fase estacionária, e mistura de butanol R - ácido
acético R - água (40:10:10, v:v:v), como fase móvel. Aplicar na cromatoplaca,
separadamente, em forma de banda 10 ?l da solução amostra e 5 ?l da solução de referência,
preparados como segue.

Solução amostra: ferver sob refluxo 1 g da droga seca e pulverizada com 5 ml de metanol
R e 1 ml de uma solução de carbonato de sódio 10 % (p/v), durante 10 minutos, resfriar e
filtrar.

Solução referência: preparar uma solução contendo 10 mg/ml, de reserpina padrão em
metanol R.

Desenvolver o cromatograma em percurso de aproximadamente 10 cm. Deixar a placa
secar em estufa a 100-105 ºC e em seguida nebulizar com uma solução de Dragendorff.
Deixar a placa secar ao ar livre por 10 minutos e examiná-la a olho nú e em seguida sob luz
ultravioleta (365 nm). À olho nú, o cromatograma obtido com a solução referência, deverá
apresentar no terço mediano da placa, quase superior, uma mancha de coloração alaranjada
(reserpina). O cromatograma da solução amostra deverá apresentar mancha de coloração
alaranjada correspondente em posição à mancha obtida com a reserpina no cromatograma da
solução referência. Outras manchas alaranjadas, abaixo da reserpina, ainda no terço mediano,
poderão estar presentes.
A mancha de reserpina após exposição à luz UV (365 nm), deverá ter coloração azulada
fluorescente. O cromatograma da solução amostra deverá apresentar mancha de coloração
azulada fluorescente correspondente em posição à mancha obtida com a reserpina no
cromatograma da solução referência. Outras manchas azuladas fluorescentes, abaixo da
reserpina, ainda no terço mediano, poderão estar presentes.

ENSAIOS DE PUREZA

Matéria
estranha (V.4.2.2.). No máximo 5%.
Determinação de água (V.4.2.3.). No máximo 12%.
Cinzas
totais
(V.4.2.4.). No máximo 10%.

DOSEAMENTO
Solução-amostra: Pesar analiticamente 2,5g da planta seca e moída e realizar extração
com 100 ml de etanol 96º GL, sob refluxo durante 4 horas, protegendo sempre da luz.
Após a extração, avolumar o extrato com etanol 96º GL, em balão volumétrico de 100
ml e transferir uma alíquota volumétrica de 20 ml para funil de separação. Adicionar com
proveta, 200 ml de ácido sulfúrico 0,5 N e extrair 4 vezes com 60 ml de clorofórmio,
descartando a fase contendo ácido sulfúrico, e reservando a fase contendo o clorofórmio.
Extrair a fase de clorofórmio com 4 vezes de 60 ml de bicarbonato de sódio 2 %, e
filtrar a fase orgânica em balão volumétrico de 250 ml. Avolumar com etanol 96º GL.
Transferir, em duplicata, uma alíquota volumétrica de 25 ml da solução para balão de
fundo redondo, e levar a secura em rotaevaporador (banho a cerca de 40 °C). As duas
soluções secas serão denominadas solução teste, sendo uma delas A0 e a outra A.
Solução teste A0: adicionar volumetricamente 5 ml de etanol 96º GL e 2 ml de ácido sulfúrico
0,5 N.
Solução teste A: adicionar volumetricamente 5 ml de etanol 96º GL, 1 ml de ácido sulfúrico
0,5 N e 1 ml de nitrito de sódio 0,3 %.
Preparar outras duas soluções que serão denominadas S0 e S, que deverão ser recém
preparadas.
Solução S0: adicionar volumetricamente 5 ml de solução padrão de reserpina (20 µg/ml) e 2
ml de ácido sulfúrico 0,5 N.
Solução S: adicionar volumetricamente 5 ml de solução padrão de reserpina (20 µg/ml), 1 ml
de ácido sulfúrico 0,5 N e 1 ml de nitrito de sódio 0,3 %.
Aquecer as quatro soluções concomitantemente em banho de 50 a 60 °C, por exatos
20 min. Resfriar as soluções até temperatura ambiente e adicionar volumetricamente 0,5 ml
de ácido sulfâmico 5 % em cada uma delas e marcar o tempo. Não empregar soluções S0 e S
de dias anteriores.
Após exatos 20 min, medir a absorbância das soluções em espectrofotômetro UV-
visível em comprimento de onda de 390 nm utilizando como branco uma mistura de etanol
96º GL e água (2:1).
Calcular a quantidade em mg de alcalóides do grupo reserpina-rescinamina, como
reserpina, utilizando a seguinte fórmula:
Massa de alcalóides MAL (mg) = 5 x ( A - A0 ) / ( S - S0 )
Calcular o teor de alcalóides como reserpina-rescinamina, em base seca, pela fórmula:
Teor de alcalóides (% p/p) = ( MAL em mg / M amostra seca em mg ) x 100
Solução padrão de reserpina: Pesar analiticamente 20 mg do padrão analítico de
reserpina em balão volumétrico de 50 ml. Adicionar 25 ml de etanol 96º GL e levar ao
ultrassom. Aquecer se necessário. Aguardar o resfriamento da solução e completar o
menisco com etanol 96º GL. Pipetar uma alíquota de 5 ml desta solução em balão
volumétrico de 100 ml e completar o menisco com etanol 96º GL, resultando na concentração
de 20 µg/ml.

EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO


Em recipientes de vidro ou metal, bem-fechados, ao abrigo da luz e do calor


Figura 1: Rauvolfia serpentina (L.) Benth. ex Kurz – A. aspecto geral da planta; B. aspecto geral da
raiz.



Figura 2: Rauvolfia serpentina (L.) Benth. ex Kurz – A. esquema do corte transversal da raiz,
evidenciando (1) periderme, (2) parênquima cortical, (3) região do floema primário e secundário, (4)
região do xilema secundário, (5) região do xilema primário. B. periderme e parênquima cortical em
seção transversal. C. seção transversal do parênquima cortical com laticífero ramificado de
crescimento intrusivo. D. seção transversal do xilema secundário apresentando raios parenquimáticos
multisseriados com abundantes grãos de amido, fibras e vasos dispostos em séries radiais. E. seção
transversal do xilema primário. F. aspecto geral do pó da raiz, com fragmentos do súber (acima, à
esquerda), de fibras e vasos (acima, à direita e abaixo, na região central), de células parênquimáticas
do xilema secundário (abaixo, à esquerda) e numerosos grãos de amido, isolados ou agregados. As
escalas correspondem: A, F (100 µm); B a E (50 µm).
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