Sabugueiro

Para que serve esta planta medicinai

Informação sobre Sabugueiro



SALGUEIRO-BRANCO
Salicis cortex



Salix alba L. - SALICACEAE
A droga vegetal é constituída pelas cascas dos ramos jovens, secas, inteiras ou fragmentadas,
contendo, no mínimo, 1,5 % de derivados de salicina expressos em salicina.



CARACTERES ORGANOLÉPTICOS


A casca seca do salgueiro-branco é inodora, de sabor adstringente e marcadamente amargo.



DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA


A casca, obtida de ramos com dois a três anos, apresenta-se em fragmentos irregulares coriáceos,
flexíveis, alongados e levemente acanalados, de comprimento, largura e espessura variados. A
superfície externa é reluzente-lustrosa, lisa ou estriada longitudinalmente nas cascas jovens, marrom
escuro. A superfície interna é finamente estriada longitudinalmente, fibrosa, parda. A fratura é curta
na porção exterior e fibrosa na porção interior.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA


Em vista frontal, a casca tem coloração marrom escura e em algumas porções, amarelada. As
células do súber apresentam diferentes formas, geralmente poligonais, de paredes retilíneas e muitas
vezes alongadas. O colênquima possui células achatadas e de paredes espessadas. Em secção
transversal, o córtex possui cutícula extremamente espessada e a porção externa da casaca pode
apresentar diferentes organizações estruturais: 1) primeira camada epidérmica, uniestratificada, com
células quadrangulares pequenas, de paredes espessas, seguida por cinco a seis camadas de
colênquima tabular, de células alongadas, dispostas tangencialmente, de paredes espessas e com
cloroplastídios, seguido por parênquima com células de variadas formas e de paredes espessas; 2)
camada epidérmica externa, com as mesmas características da descrita anteriormente, seguida pelo
colênquima formado por células pequenas, arredondadas e de paredes espessas, seguido por
parênquima com células também arredondadas e de paredes espessas; 3) revestimento externo
formado por periderme, abrangendo diferente número de camadas, seguidas por parênquima com
células arredondadas e de paredes espessas. O parênquima cortical externo é sempre formado por
várias camadas de células, mais comumente quadrangulares a retangulares, ou poligonais a
arredondadas, de paredes espessadas, com poucos espaços intercelulares, muitos cloroplastídios e
muitos cristais de oxalato de cálcio do tipo drusas, raros monocristais e cristais prismáticos.
Agrupamentos de células pétreas são pouco comuns neste tecido, raras são essas células isoladas e
as contendo compostos fenólicos. O parênquima cortical interno, possui células de diferentes
formas, maiores espaços intercelulares e menor quantidade de cristais e de cloroplastídios. Mais
internamente, as células mostram maior irregularidade de forma, maiores espaços intercelulares,

paredes muito espessadas, pontoadas e mais retilíneas. Agrupamentos geralmente circulares, de
fibras lignificadas são abundantes e estão distribuídos aleatóriamente neste parênquima onde, muito
raramente, ocorrem agrupamentos de células pétreas. O câmbio é formado por poucas camadas
celulares, com células de pequenas dimensões e achatadas tangencialmente, tanto as fusiformes
quanto as radiais. O tecido adjacente internamente ao câmbio, contém grande quantidade de grãos
de amido. Raios parenquimáticos são formados por células de diferentes formas, alongadas
verticalmente, de paredes espessas e contendo cloroplastídios. Entre esses raios, ocorrem células
parenquimáticas de forma irregular, de paredes espessadas, sem cloroplastídios e de maior volume
do que aquelas distribuídas junto ao câmbio. Células floemáticas pequenas, ricas em compostos
fenólicos, são acompanhadas por agrupamentos de fibras lignificadas, alinhados horizontalmente e
por células parenquimáticas, de paredes espessas, com cloroplastídios e dispostas tangencialmente.
Idioblastos contendo compostos fenólicos são comuns junto ao câmbio interno. Este tecido delimita
internamente a casca e é formado por células de paredes delgadas e reduzido número de camadas.
Geralmente é de difícil observação devido suas características e sua posição limítrofe. Em secção
longitudinal, as características do súber e da região cortical externa são similares as descritas para a
secção transversal. A região cortical interna mostra raios parenquimáticos muitas vezes alargados,
fibras e células parenquimáticas de paredes espessas.



DESCRIÇÃO MICROSCÓPICA DO PÓ





O pó atende a todas as exigências estabelecidas para a espécie, menos os caracteres
macroscópicos. Examinar ao microscópio utilizando solução de hidrato de cloral R. São
característicos: coloração castanho-pálida; fragmentos de súber, em vista frontal; fragmentos de
parênquima, com células de paredes espessadas, em vista frontal; fibras isoladas ou porções de seus
agrupamentos, em secção longitudinal; fragmentos de parênquima cortical com células de forma
poligonal e de paredes espessas, com cristais do tipo drusas, em secção transversal; porção de fibras
associadas a idioblastos cristalíferos, em secção longitudinal; fragmentos de parênquima com
células de paredes espessadas, com distribuição radial e com porções de câmbio; fragmentos de
câmbio, em secção transversal; cristais de oxalato de cálcio dos tipos monocristais, cristais
prismáticos e drusas, isolados.



IDENTIFICAÇÃO


A. Proceder conforme descrito em Cromatografia em camada delgada (V.2.17.1), utilizando sílica-
gel GF254, com espessura de 0,25 mm, como suporte, e acetato de etila, metanol e água (77:13:10,
v/v/v) como fase móvel. Aplicar, separadamente, em forma de banda, 10 ?l de cada uma das soluções
(1), (2) e (3), preparadas recentemente, como descrito a seguir.


Solução (1): aquecer 0,5 g da amostra pulverizada (500), com 10 ml de metanol, em banho–maria,
sob refluxo, a aproximadamente, 50 °C por 10 minutos. Esfriar e filtrar.


Solução (2): adicionar a 5 ml da solução (1), 1,0 ml da solução de carbonato se sódio anidro
contendo 50 g/l. Aquecer em banho-maria a, aproximadamente 60 °C, sob refluxo, por 10 minutos.
Esfriar e filtrar.




Solução (3): dissolver 2 mg de salicina em 1 ml de metanol.


Desenvolver o cromatograma. Remover a placa, deixar secar ao ar. Em seguida, nebulizar a placa
com solução de ácido sulfúrico 5% em metanol e deixar em estufa entre 100 ºC e 105 ºC, durante 10
a 15 minutos. O cromatograma obtido com a solução (3) apresenta, no terço médio, uma mancha
violeta-avermelhada correspondente a salicina (Rf aproximadamente 0,40). O cromatograma obtido
com a solução (1) a mancha de salicina aparece com uma intensidade fraca à média. No
cromatograma obtido com a solução (2) a mancha correspondente a salicina aparece mais intensa e,
sobre ela aparecem uma (salicortina) e, as vezes, duas (tremulacina) manchas fracas, de cor violeta-
avermelhada. Nos cromatogramas das soluções (1) e (2) podem aparecer outras manchas de cores
azul, amarelo e marrom.



ENSAIOS DE PUREZA


Material estranho (V.4.2.2). No máximo 3% de raminhos com diâmetro superior a 10 mm. No
máximo 2% de outros materiais estranhos.


Água (V.4.2.3). No máximo 11%.


Cinzas totais (V.4.2.4). No máximo 10%.



DOSEAMENTO


Proceder conforme descrito em cromatografia líquida de alta eficiência (V.2.17.4). Utilizar
cromatógrafo provido de detector ultravioleta a 270 nm; pré-coluna empacotada com sílica
octadecilsilanizada, coluna de 150 mm de comprimento e 3,9 mm de diâmetro interno, empacotada
com sílica octadecilsilanizada (4 ?m), mantida a temperatura ambiente; fluxo da fase móvel de 1
ml/minuto.


Eluente A: mistura de acetonitrila, água e ácido trifluoracético (3:97:0,05).


Solução amostra: Pesar exatamente, cerca de 0,3 g da droga seca e moída (355 ?m) juntar 25 ml
de metanol e aquecer sob refluxo, durante 30 minutos. Esfriar e filtrar. Retomar o resíduo com 25
ml de metanol e tratar como descrito anteriormente. Reunir os filtrados e evaporar sob vácuo até
secura. Retomar o resíduo com 2 ml de metanol, adicionar 2 ml de hidróxido de sódio 0,1M e
aquecer em banho-maria, sob refluxo, durante 1 hora a 60 °C, aproximadamente, com agitação
freqüente. Esfriar, adicionar 0,25 ml de ácido clorídrico 1M e completar a 5 ml com uma mistura de
metanol e água (50:50, v/v).




Solução padrão estoque: dissolver 10 mg de salicina em 10,0 ml de acetonitrila.


Curva de calibração: diluir alíquotas de 40, 45, 50, 55 e 60 ?l da solução estoque a 100 ?l com
mistura de acetonitrila, água e ácido trifluoracético (3:97:0,05), de modo a obter concentrações de
0,40 mg/ml, 0,45 mg/ml, 0,50 mg/ml, 0,55 mg/ml e 0,60 mg/ml.


Procedimento: injetar, separadamente, 10 ?l das soluções da curva de calibração e da solução
amostra. Registrar os cromatogramas e medir as áreas dos picos. O tempo de retenção é de
aproximadamente 6 minutos para a salicina. Calcular o teor de salicina na amostra a partir da
equação da reta obtida com a curva de calibração. O resultado é expresso pela média das
determinações em gramas de salicina por 100 gramas da droga (%), considerando o teor de água.



EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO


Em recipiente de vidro bem fechado, ao abrigo da luz, calor e umidade.


XII.2. REAGENTES E SOLUÇÕES REAGENTES

Solução de Anisaldeído sulfúrico
Preparação - Dissolver 0,5 g de anisaldeído em 100 ml de metanol. Adicionar 4 ml de ácido
clorídrico e 5 ml de ácido sulfúrico.







Legenda:
Figura 1. Salix alba L. – A. aspecto geral de porção da superfície externa da casca, em vista
frontal; B. aspecto geral de porção da superfície interna da casca, em vista frontal; C. detalhe do
súber, na região de coloração marrom, em vista frontal; D. detalhe do súber, na região de coloração
amarelada, em vista frontal; E. porção de colênquima em secção transversal; clo: cloroplastídio; F.
detalhe de porção do parênquima, mostrando idioblastos cristalíferos com monocristais, cristais
prismáticos e drusas, e com compostos fenólicos, em secção transversal; icf: idioblasto contendo
compostos fenólicos; clo: cloroplastídio; ic: idioblasto cristalífero; G. detalhe de porção do
parênquima, mostrando agrupamento de células pétreas, em secção transversal; clo: cloroplastídio;
cp: célula pétrea; ic: idioblasto cristalífero; pto: pontoação; H. detalhe de porção do cortéx, em
secção longitudinal; clo: cloroplastídio; fb: fibra; ic: idioblasto cristalífero; p. parênquima; I. detalhe
de porção do córtex, mostrando o parênquima e células pétreas em secção longitudinal; clo:
cloroplastídio; cp: célula pétrea; ic: idioblasto cristalífero; p: parênquima; pto: pontoação. As
escalas correspondem em A e B a 5 mm, em C - I a 100 ?m.


Figura 2. Salix alba L. – A. detalhe de porção externa do córtex, em secção transversal; clo:
cloroplastídio; co: colênquima; cu: cutícula; ep: epiderme; ei: espaço intercelular; ic: idioblasto
cristalífero; fb: fibra; pce: parênquima cortical externo; pci: parênquima cortical interno; B. detalhe
de porção do córtex, mostrando revestimento formado por periderme, em secção transversal; cu:
cutícula; clo: cloroplastídio; ic: idioblasto cristalífero; pce: parênquima cortical externo; pe:
periderme; C. detalhe do córtex, em secção transversal; ca: câmbio; cat: câmbio interno; clo:
cloroplastídio; co: colênquima; cp: célula pétrea; cu: cutícula; ep: epiderme; ei: espaço intercelular;
f: floema; fb: fibra; ga: grãos de amido; ic: idioblasto cristalífero; icf: idioblasto contendo
compostos fenólicos; p: parênquima; pce: parênquima cortical externo; pci: parênquima cortical
interno; pto: pontoação; rp: raio parenquimático; D. detalhes do pó; a. porção do súber, em vista
frontal; b. porção de parênquima, em vista frontal; c. porção de parênquima, mostrando idioblastos
cristalíferos, em secção transversal; clo: cloroplastídio; ic: idioblasto cristalífero; d. porção de
parêquima e de câmbio, em secção longitudinal; ca: câmbio; p: parênquima; e. porção de fibras
asssociadas a idioblastos cristalíferos, em secção longitudinal; fb: fibra; ic: idioblasto cristalífero; f.
porção do câmbio, em secção transversal; g. porção de fibras agrupadas, em secção longitudinal;
pto: pontoação; h. cristais de oxalato de cálcio, isolados; i. fibra isolada, em secção longitudinal. As
escalas correspondem em A, B e D (a - h) a 100 ?m, em C e D (i) a 200 ?m.






Figura 1













Figura 2



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